Sobre textos e pensamentos religiosos

Caros leitores e seguidores do meu blog,

Em relação aos meus pensamentos e textos religiosos, quero que saibam que não estou impondo como verdade absoluta aquilo que sinto e acredito como correto. Cada pessoa tem sua experiência e seu sentimento com Deus.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Sobras do tempo

Temos pouco tempo para sermos vida e sentirmos a vida.
Mas o que somos e sentimos se não nos sobra um tempo?
Somos e sentimos nada, somos um sopro no vento. Resta pouco tempo.
E o que queremos?
Ser imortais.
Não se tem mais tempo para ser feliz...
Para dar e receber amor, não se tem tempo.
Responde ao menos: o que fizeste dos sonhos que lhe dedicaram?
Acaso viraram espectros?
O que fizeste com uma perspectiva?
Uma diretiva sem ter compreensão do que vale a pena?
O que fizeste da mão estendida quando a confusão dilacerava?
Fora abandonada, aviltada?
O que fizeste com o olhar fito em sua direção?
Fora desviado, já enfadado por não encontrar o teu?
O que fizeste com o sorriso?
Algo sem motivo de ter expressão?
O que fizeste com o sentimento?
Colocou-o à prova quando disseste que em ti não o tinha?
O que fizeste com as palavras que tão doces derramaram sobre ti?
Foram afogadas quando por ti consideradas desnecessárias?
O que fizeste da memória de toda uma vida?
Um lapso apenas?
O que fizeste enfim com tua vida?
Desagregada, esquecida, complicada, finita, descompassada...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Desse jeito



Quem sabe sentirei a saudade estranha!
Aquela que não sabemos bem ao certo se é do que já fomos ou do que não fomos, do que não vivemos...
Estranha saudade!
Talvez saudade de olhar nos olhos de alguém...
nem sempre encontramos alguém capaz de olhar dentro dos olhos, e é disso que preciso!
Tenho sede de olhar por dentro, descobrir sem violar; tenho vontade de saber que ainda existem pessoas que se doam sem esperar nada em troca;
ver grandeza verdadeira, atitudes que valem a pena.
Sonho encontrar alguém que eu possa sentir, mesmo estando longe...
criaríamos laços que nos envolveriam e nos uniriam mesmo à distância...
nem o tempo apagaria o que conquistaríamos!
Despiria-me de capas, não existiria máscara... nunca houve. Límpido seria por dentro, ao redor.
Não conheço forma melhor que o transparente; forma melhor que o cofre sem chave ou segredo, onde se guardam as intenções, pois elas jamais devem ser capazes de nos envergonhar, trazer algum embaraço.
Insisto conquistar a sorte de ser envolvida por quem pensa, sente, olha fundo, queira e se permita ser desse jeito.



2003

sábado, 27 de dezembro de 2008

Vislumbre





Todo pensamento que se cobre por um vislumbre, tem a sede de estar presente.
No aspecto livre das vidas, trazemos duas esperanças banhadas de desejo por unir, até que o mundo gire mil voltas num minuto.
Trazemos à existência o já vivido para ser só vida envolta, solta e sem neblina.
Na dedicação de um pensamento, dias, horas, noites e vidas, vive-se como se fosse de alguém, onde se é o que se é ou é outra pessoa, onde se tem mil faces em apenas uma por satisfação de uma fantasia.
Alguma coisa é viver. E pode-se também ser alguém de momento em qualquer tempo e tentar eternizá-lo, bastando para isso um desejo que se abra como uma flor no jardim das esperanças.


1999

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Florestamente

Vasto é o meu pensar quando sou vida.
Às bordas do sim, conto flores e pétalas da hora de dizer o que flutua em mim.
É humilhante a condição do que não pensa e nem é dado ao astral de perceber os sons, os sentidos enfim.
Vasta me sinto.
Florestamente devastada quando pensam que sou apenas flora e não fauna; a junção do verde com a vida.



1995

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Matéria

Feitos e efeitos da matéria.
Matéria mestra, matéria íntima; o néctar da menina.
Matéria em curso unindo um percurso a um aprendizado.
Matéria...
traçado projeto, em mente um objeto.
Matéria pura, natural da vida que veio da terra.
Matéria que se pega e no fundo se apega; apegados estão, apegados, não sei se ficarão.
Não vale a pena matéria!
Matéria sem ganância...
única matéria que vale na vida.



1996

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Desgaste

Como, quando e onde sou para você importante?
Como, quando e onde sou em ti penetrante?
Como, quando e onde sou apaixonante?
Como, quando e onde...

não sei não...
é desgastante.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Sentimento


Quem ousou conhecer a fundo o sentimento?
Ousei apenas senti-lo revolver-se em mim.
Ao senti-lo assim inteiro, senti também as conseqüências de desejá-lo sempre
em tudo o que vivo, com direito às suas mutações, que refletem o estado da alma daqueles que amo.
As conseqüências são para quem vive com paixão...
Tudo dói, tudo explica, tudo encanta, tudo nasce, tudo envolve, tudo sorri, tudo colore, tudo canta, tudo é o começo do bem, tudo é o fim.
Ousei criticá-lo pelo que ele é, ousei me redimir e aceitá-lo aqui dentro.
Não procurei o sentimento, não pensei em nada a não ser no tempo que corre,
e quando escrevo para o sentimento, penso apenas nele.
Quando divago, penso, reajo... é ele que tenho ao redor. Ele sabe sem que eu diga,
o que pretendo, que é encontrar alguém que acredite no que protejo agora,
que é nada mais que sentimento;
encontrar alguém que sem questionar, me receba com tudo o que tenho – sentimento.
Não apenas sentimento do tipo que se sente quando se empolga
como também do tipo que se deseja como verdadeiro,
no anseio aceitável de querer que alguém me ame e que eu acredite sem inquirir
que amor assim existe, e deixar, porém, que o tempo revele o que é, o que foi,
o que será do que se sente. Porque o tempo corre...
É preciso mais sentir do que questionar; é preciso mais viver do que querer dominar sentimentos.
Não faço e nem reclamo promessa de amor eterno. Faço nascer o que há de sincero,
que nasceu junto comigo.
Quero viver com sentimento, porque não amo pessoa ou coisa apenas,
mas amo sentir que ainda sinto, e amar dizer que amo é complementar palavra-sentimento,
que embriaga de amor e me reduz a um reflexo da vida que terei, se eu permitir.
Aqui reside o sabor da vida, que nos compensa com vivências inimagináveis e duráveis
como a duração de uma vida.
Quem dera apalpar o sentimento e manipulá-lo como conviesse!
Seria o poder perigoso de calcular o viver a beleza e intensidade daquilo que se sente,
seria o domínio que não se tem e o controle daquilo que se vê e toca.
Não sentiria o gosto amargo de uma dor qualquer porque tenho o domínio,
mas também seria o dominar para depois sentir. Seria crer apenas naquilo que se vê,
bem mais do que no que se pode sentir.
Mas ele foi feito para ser sentido e ai de nós sem o sentir!
Seríamos pedra. Sentimento em pedra não se realiza, mas em nós, desempedrados,
sentimento é vida.
Pode ser bom, pode ser ruim;
pode ser modificado;
pode ser extinto;
pode ser infinito.



2006

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Toda vida

Coisas passam. Pessoas em sua vida também passam. E do mais além, do que adianta alimentar vozes na garganta que gritam para os que não escutam?
Histórias passam. Dentro de mim passaram e arrasaram meu sentido de ser comum.
Ser ou não ser incomum?
Por agradar, para festejar algum bem que se faça por mim e pelos outros.
Cada vez entendo mais que quero é paz, sentir meu sonho e escrever e do próprio punho perceber que as cores da vida mudam sempre de uma tonalidade para outra.
E cada dia, em nós e para nós descobrimos tesouros ou aos gritos ou aos prantos ou aos poucos dentro do que se movimenta.
Talvez um dia você entenda, tudo na desordem das palavras.
Talvez então você se renda.


1995

domingo, 7 de dezembro de 2008

Na leveza

Que levemos a vida na leveza, no firme propósito de sermos livres e não seres enclausurados em cascos feios, frios e petrificados de mágoa, de ódio, vazio e de nada.
Não seja pedra, não seja um bruto!
Seja livre e seja vida.


17/05/2004

sábado, 6 de dezembro de 2008

Elemento da vida

Eu ouvi seu coração, um elemento da vida.
Este teu som, que exprime suave aroma, graça e mais vida ao gosto azul de te olhar, me faz crescer.
Sou asas, mais veloz eu sou; sou pássaro, mais leve eu sou; sou mulher, mais fiel eu sou porque sinto que me abrigas.
Cada dia mais eu sou mais e a solidão, menos, menor, solitária.
E na junção dos nossos corpos suavizados, imunes, não existe o mal; existe o som de astros, a firmeza na vida, o amar o nosso beijo e juventude e o sorriso da eternidade num aceno, num consentimento.



1997

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Não pára, o tempo

Tempo não pára não!
Mas perece com o limiar de um outro tempo.
Nem num suave toque das mãos nem num não que a gente diz a ele,
não pára não.
As lembranças podem ser eternas porque podemos pará-las, relembrá-las,
quem sabe amá-las!
Tudo o que amo fica comigo e não se esvai não, não é esquecido não, não passa não...
não pára não.
A alegria de um tempo não se perdeu, não se esqueceu, mas rolou uma lágrima de tristeza momentânea como por algo que quase se desfez no tempo.
Algo mudou, não se desfez e se encontrou nos caminhos de um coração
onde não existe tempo, espaço, desencontro, embaraço ou esquecimento.
E a outro coração eu me rendo. Só não me rendo a um remendo de uma dúvida ou de um silêncio.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Vidas recicléveis

Não importa que tudo um dia se vá,
se dilua no vento,
no tempo.
Importa a energia da vida que nos ensina a continuar,
a recomeçar de onde paramos.
Importa entregar as mágoas aos seus abismos,
suas trevas de onde vieram...
importa crer que foi importante se reerguer depois de golpes e lutas frias...
crer que existem alegrias e vários começos de vidas recicláveis.



1995

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Outras lembranças mais

A recorrer às lembranças, percebo o quanto se pode amar o silêncio.
Sonhando com o sem fim, entrego minhas mãos e peço outras como presente numa simultânea entrega, colorindo o caminho gerado por tal entrega,
pintando-o com risos, enfeitando-o com flores.
Brilham então os olhos como diamantes diretos e objetivos numa só meta.
Busca-se sentidos, delícias de um momento e um notável sentido em estar unido por entre os lírios que ornamentam lembranças.



1995

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Transformou-se uma vida

Era fechado aquele mundo. Não existiam aqueles poros, não existiam aquelas frestas nem rimavam harmoniosamente como uma canção.
Era fechada aquela mente e o sonho não era sonho. Era um pensamento sem forma, a se formar a partir de um outro sonho verdadeiro que de tão completo, veio a mim certeiro.
Estava à deriva aquele barco. As ondas o levavam, mar a dentro mergulhavam barcos inteiros no fundo do peito.
Era sério aquele rosto. E que expressão movia aquele corpo?
E os olhos rasos?
Os momentos surgiram e foi como a orquestra dos elementos da terra.
Aquele mundo se abriu, os poros agora existem, as frestas estão em festa.
Aquela mente anãzinha agora sofre feliz de gigantismo; o sonho que não era sonho e sim pensamento, tomou forma.
O barco à deriva que estava à mercê dos ventos contrários e vazios, aquele mar bravio, foram possuídos pela calmaria.
Aquele rosto era meu, era seu. Deixou de ser empedrado, amargurado e conheceu um verdadeiro sorriso; o corpo era apenas uma massa complexa e pesada, mas aprendeu enfim a leveza da espontaneidade, a expressão que nos fala do que não se sabia sobre os olhos que eram rasos, distantes do olhar profundo com significado.


1995

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Frágeis outros ares

A depressão não nos merece, porque somos frágeis...
com um sopro, e estamos em outros ares.
Não saber o que fazer é imperfeitamente humano.
O importante é não se abandonar nunca.
A cor cinza de um momento se transformará.
O que seria de nós sem o perfume suave da amizade?
Ela é um tipo de amor, e como o amor, é fonte de vida e sorrisos.


10/05

domingo, 23 de novembro de 2008

Engasgo

Para uma convivência pacífica, assim como sou,
para não tornar minha vida um inferno,
tive que engolir grandes sapos...
Alguns tão grandes que estou engasgada até hoje!


12/10/05

sábado, 22 de novembro de 2008

Trocando idéias

Que momento difícil terminar uma noite com sensação de que algo se quebrou!
Indagamos e por causa disso nos classificam como mais uma dentre as pessoas que julgam mal. Jamais condene o franco!
Não sabemos interpretar ninguém, não sabemos enxergar as pessoas, muito pouco sabemos da vida e somos ferinos no que pensamos. Sabemos ferir a quem amamos, a quem respeitamos. Sabemos ser parentes do mal entendido.
Com o tempo, mais adiante entenderemos que não se pode conhecer ninguém a fundo.
Se você busca isso um dia, saiba que nunca terá, pois este poder não foi dado a ninguém.
São sempre diferentes modos e pensamentos, não se pode mensurar sentimentos, não se pode fazer pouco daquele que te ama, pois mesmo ao longe te anseia.
Podemos magoar porque também não podemos engolir nossas palavras. Certas pessoas não sabem o que dizem, e nem sempre sabemos conquistar alguém.
Fazemos perguntas sem retorno...
É dessa forma porque não devemos ser covardes, mas o mais importante é estarmos seguros de quem somos.
Existem pessoas lindamente verdadeiras, e queremos bem a elas sincera e honestamente. Mas tem gente que apenas imagina que queremos bem, friamente. Depois recolhem certezas...
Então, pessoas deixam de ser especiais. Porém, o melhor é que nunca assusta sentir a doçura que existe no recôndito do ser genuinamente desarmado e imune ao fel.
Podem às vezes as palavras ferirem, e para doer assim, não se sabe se o silêncio é melhor opção. E assim a gente segue a vida, tentando ser frio para sobreviver sem se envolver.
Quem duvidou de tua pureza, alma ferida?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Carinho

É preciso estar “perto” para fazê-lo ser único.
Lembro dele todo dia intercalando saudade e desejo.
Ele vem de onde não sei por que vem e é feito por quem não sei, depois disseminado como não sei, às vezes com mais força do que qualquer outro gesto quando mexo onde não devo fomentar.



2006

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Meio solidão

Qualquer dia numa noite, e não um dia qualquer, em que as horas eram altas, o silêncio circundava meio cinza, meio branco, longe de ser um real silêncio, me senti só... senti muito... o mesmo que você já sentiu talvez.
É agulha que espeta, que muda de jeito e vira punhal; que sofre, que fura, mexe e incomoda nos fazendo mal.
É o abstrato, o toque sem jeito que fica na pele de uma multidão e deixa dentro da gente, o lado do sim e do não.
Eu queria dizer, olhar na íris, estar perto, mas não é tempo...
há distância e mundos diferentes que não permitem os anéis de um saturno cor de rosa e azul.
É tanta coisa junta provocando a separação! É tanta ilusão, tanto não, tanta direção e uma curva logo ali, denotando perigo, desenhando uma mão; aquela mão que na ilusão são duas mãos que me dão e eu vou segurá-las pensando: são fortes e me levarão.
Que lugar? Qualquer um que exista a beleza do sorriso meigo, desinteressado, que me traga a imagem de um rosto desmascarado como devem ser as palavras.
Que o sim seja mesmo sim e que talvez eu possa mesmo encontrar quem procuro.
Essa alegria que vejo em teu olhar, que seja viva como se corresse em minhas veias. Que eu diga e você me escute, e pedirei o teu abraço, a tua mão.
Não troco, e não se troca vida, o conteúdo do ser, a vontade real...
essa é a minha substância. Eu quero descobrir a tua!
Então, dê-me uma pequena fresta, o sentimento de quem acabou de conhecer alguém que se pode pensar: aqui nascerão afinidades.
Não pedirei muito de ti... não se entregue agora porque ainda não me entreguei.
Escolha momentos, crie aventuras, enredos, rimas, silêncios, presente e futuro. Visite meu coração, atenda a porta do teu que lá estou batendo.
Me cumprimente, converse, experimente e prove quem és.
Eu gosto... goste também se fizer parte de você.
Eu digo que gosto do momento do descobrimento do eu, do tu. É quando eu posso finalmente dizer que existe em você algo semelhante a mim.
Agora sim, me entrego. Te entregas também?
Se sim, provaste então que no seu coração estou, assim como no meu tu estás.
Conheceste a alma, o íntimo de quem ama com o conteúdo que possui.
Provei e provaste; provarei e provarás que podemos ser mais...
além de cúmplices, amigos.



28/12/2002

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Amanhecer

Amanhecer de frente para si faz romper lágrimas do coração; faz nascer a atitude de trazer a alma para a vida.
Amanheça de frente para o sol e de costas para as incertezas.
Amanheça por prazer, acorde por uma razão, para durar enquanto houver vida para amanhecer.



1995

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Ambigüidade

A humanidade é ambigüidade. Vive entre dizer sim ou dizer não. O ser ou não ser. Ter ou não ter. Querer ou não. Ir ou ficar. Fugir ou enfrentar. Amar ou desamar. Sorrir ou chorar. Sentir ou camuflar. Dizer ou calar. Se proteger ou se expor. Sonhar ou acordar. Dormir e não sonhar ou sonhar acordado.
Ela faz a sua escolha, escolhe certo, escolhe errado...
Ou prefere tudo pronto, já traçado...
Vive dizendo sim quando queria dizer não e vice-versa. É o que é ou vive querendo ser o que sempre foi e não sabia ou o que nunca será um dia. Ter e querer o que se tem ou não ter por simplesmente não querer o que todos têm. Ir por ter direção ou por impulso, ficar por ilusão ou também por outro impulso. Fugir de si mesmo ou dos outros, da vida, enfrentar ou não a ferida. Amar num todo ou desamar sem força a própria sina. Sorrir dos outros, sorrir para os outros ou não sorrir, por desgosto. Chorar com os outros, chorar com gosto...
ou não chorar por não ter gosto. Sentir que é livre e que ama ou camuflar o sentido do sentir de si mesmo quando sente que cansa. Dizer o que pensa ou o que não pensa, calar o que pensa ou o que sustenta. Proteger ou se proteger de alguém ou de si mesmo. Se expor demais ou nunca. Sonhar que já acordou ou acordar e ver que era um sonho. Dormir para a vida e não sonhar ou sonhar que a vida é acordar do eterno sonho.


18/02/2004

sábado, 15 de novembro de 2008

Fase feita frase

Eu já quis todos os talos roxos do poder de ter.
Verbos do querer, do possessivo.
Eu já não quero, não quero nada, não quero tudo.
Eu quero dizer numa frase que uma fase dura a vida toda ou somente uma fase.
A frase é esta: eu amo você.
Amor repentino e intermitente com direito a final e mudança de casal que já era, e foi...
e sei que serei a sereia com saudades da terra seca, com um sonho no fundo do mar, a despertar a saudade do verdadeiro modo de sentir que a vida existe na terra!
Eu hei de ter saudade do elo abstrato que nos uniu, e já percebi que teu sonho nunca adquiriu tal elo.
Ei, abstrato!
Um ai de sereia.


1995

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Fatos

Um fato desencadeia outro fato, e toda reação é feita de um impulso, talvez não premeditado.
Se você disser que não, pode ser por um fato ocorrido, por reação de algum sorriso que não lhe pertenceu.
De dentro do teu ser poderia fazer sentido dizer sim e tomar posse do que é riso, do que é festa e paraíso.
Decida se é hora do sim ou do não, do riso ou da seriedade, da beleza do transformar mal em bem, da tristeza de se abandonar ao acaso.



2002

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Uma gota de amor

Sem amor não há vida, não há prazer, não há sorrisos nem espontâneos nem felizes.
Sem amor não há lugar gostoso para ir, não há refúgio quando a tristeza bate, não há apetite de forma nenhuma por coisa alguma.
Sem amor eu não entendo nada, não entendo a vida nem as pessoas.
Sem amor há cantos vazios, corações perdidos e ressequidos implorando por uma gota de amor!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Fio grisalho

Nada dá em nada, nada é feito por nada e tudo tem razão de ser
ou ser palavra.
A palavra diz nada e tudo e tem razões para existir.
Palavra...
que seja dita para preencher a vida e o espaço quando somos vazios,
tardios no entendimento.
Nada é comum e incomum como quase nada e desse quase nada, esse nosso acúmulo de frases e experiências de vidas e certezas, e um fio grisalho marcado em nossa existência.



09/1997

sábado, 8 de novembro de 2008

Ame

Ame num olhar distante, ame olhar nos olhos.
Ame as cores, as formas. Ame, mesmo sem entender...
em silêncio também.
Ame sem remorso. Ame sem as palavras...

com seus gestos, com tudo que se tem direito.
Ame forte e conscientemente.
Ame de muitas formas...
ame as formas e o modo como tuas mãos criam.
Ame sem se torturar, porque amor é amar.



2006

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Solidão

Estou temendo ser um remendo da vida, outro da morte.
Minha fantasia frenética acobertou ilusões múltiplas de agonia.
Estou contente e louca, mas sóbria embriagada.
Meus olhos se fecham à noite.
Ao amanhecer se abrem para a vida.


1995

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eras um verso

Eras um sonho, um fruto repentino de árvore que sorri de madrugada.
Há sempre um tempo em que a vida celebra seu fôlego e entrega-se ao mar quebrando na praia feito ondas de calor; desliza linda como água em cascata e delineia o corpo de quem existe no abstrato sempre real e quase completo.
Eras o que não se vê, mas o que se crê se ainda em mãos inexiste. Eras um pensamento isolado de tudo, que a todos dizia ser todo dia um novo dia para se viver e encontrar-se com o próprio sonho, favor da mente concedido à matéria.
Foi assim que tudo se fez, foi assim que encontrei um mistério de amor que quebrou o silêncio, que leu a vida no tempo.
Quem te vê além de mim?
Um amor é distante de outros amores porque nunca é igual e para ele nada cansa.
E você? A quem ama?
Explica-me por que existe solidão do tipo que desperta dor desenfreada?
Nenhum infortúnio nos parece grande quando nos encontramos em pleno regozijo de amar e ser amado, ser mesclado num outro ser para ser somente um.
Eras um mundo escondido na fantasia, e mesmo assim verdadeiro-imaginário... em formatos variados de despedidas, sofridas... distantes como as distâncias...

mas sem distância nada de pranto e qual o sentido do sofrimento?
Tranqüilize-se pensamento!
Seca as tuas lágrimas e durma sossegado porque eras apenas um verso.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Seus sonhos


Verdades

As verdades às vezes são mais claras quando ditas por uma voz vinda de dentro de nós.
As verdades são aceitas e incontestáveis, são frutíferas e incontáveis como os grãos de areia da praia.



1994

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Qualquer

Qualquer coisa que faça os ventos soprarem, qualquer dor que se acabe,
qualquer paixão que inflame o corpo, qualquer amor...
Não!
Nunca um amor é qualquer.
Amor é chão e vida, estrada a se firmar a um destino.
Amor é dado a paixões loucas e boas que escorrem corpo a baixo e que convencem aos que nunca amaram a amarem.

Quero qualquer coisa, mesmo que seja o qualquer de quem quer, não pára, não esquece, sempre vive e eu insisto desistindo.
Perduro nesse qualquer do querer porque quero você.
Quero o seu qualquer de um jeito sutil, gentil e interessado. Essa qualquer coisa que não tem totalidade, que é rasa e funda. Esse qualquer querer que me quer tanto, mas que me faça crer e viver um amor não qualquer.

sábado, 1 de novembro de 2008

Vidas de outros

Diante de todo universo, a voz que é minha se cala.
E abrem-se os rostos das vidas dos outros e seus gostos pelos agostos
de se sentirem íntimos da vã palavra, do descaso.
Vidas de outros que morrem por sua própria boca, repleta de vãos gritos
e palavras que não possuem gestos.


1995

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Estamos vivendo

Tão fácil levar a vida!
Saber levar, um pouco menos do que tentar.
Não muito difícil ter nas mãos as soluções e os caminhos certos.
Tão acolhedor e sincero poder dividi-la e multiplicá-la, poder repartir os novos sonhos, os novos sonetos, e à noite, na vigília calada, renunciar ao pranto e receber a ternura, levar o egoísmo à sepultura.
Não muito fácil ter a sensação de poder sempre.
Mais fácil é ter, separadamente, sensações e poder. Sensação de abraçar, pretensão de acolher; poder de criar, poder de querer.
Assim, seria um reagir diante do mundo e proporcionar realizações aos sonhos que vêem o futuro.
É mais fácil acreditar na vida e levar pelas mãos sua crença e atitude,
apagar as ilusões e revelar que também foste uma criança que preferiu idealizar o que já existia, mas que em si não tinha efeito.
Não muito difícil crescer e deixar habitar dentro de si a mesma criança que torna tudo com efeito. Mais fácil é embalar a mesma, para que não ouça seus disparates e para que não veja seus embaraços, e acordá-la enquanto a vida continuar convicta de que muito vale a pena não perder seu prisma, o jogo de cintura.
Muito fácil receitar o bem aos outros pela ética e conceber o mal em si mesmo, tão conservado e sem estética, por murmúrios, por um deslize, por medo, por um segredo.
Não é difícil manter as rédeas em suas mãos.
Difícil vai ser se mudares da reta direção.
É mais fácil para as folhas serem levadas pelo vento...
então não esteja entre elas para não sair perdendo, e seguir chorando, sofrendo, doendo, lastimando, e tudo corroendo, maltratando, e te findando.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Direi de um pensamento

Que direi agora do pensamento?
Sensações do passado em ondas futuras? Não.
A alegria do novo, a mudança, o renovo.
São ondas de mar a mar, altas e constantes, que redime o que era antes.
Ouço os acordes daquela música que não escrevi...
Ficou aqui, a sondar-me o interior para ver se tudo acabou ou se apenas calou para continuar no sorriso de hoje.
Que dizes, pensamento?
Do mais belo ao mais errante, do finito ao mais gritante...
Você é livre, assim será continuamente, e que um dia encontre nas brechas que me deres a prisão do desfalecer de um sonho...

19/02/2003

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Sucesso

Sono somente sinto sempre sem sentido sentimento sortido,
simpático, secreto, simulado.
Suave sensação sentida, serenata sacudida, simples e séria,
serpenteia sua saúde sonolenta sem sangue surdo...
singela semente de sussurro.


1993

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Toda saudade

Os ares mudaram...
nem sei se eles são singulares, se sempre foram plurais.
Esses ares induzem a sentirmos o coração batendo languidamente.
Faltou uma energia...
Agora é o espaço vazio de quem não será substituído.
Somos capazes de sentir uma falta que é controle e descontrole simultaneamente.
São efeitos de dor particular ou partilhada por outros, mas nem por isso modifica seu sentido.
Dor que absorvida pelos poros, afeta as lembranças que movem os olhos
e lança um pensamento ou lágrima de saudade.


1996

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Escolha

A solidão é também falta, como saudade de alguém se tornando teu destino.
Escolha que nem sempre fazemos é magoar, e que nos magoem.
Não há muito o que fazer.
Alguém diz que ama, outro alguém não está para dizer.
Outros não dizem nada porque temem dizer.
Existem pessoas que nos deixam e retornam, outras não estão outra vez.
Certas horas parecem ser só sofrimento...
outros, só escolha.


23/11/05

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

É o que importa

Consciência sobre nós. Conscientes nós somos de que fazemos parte de um mundo, somos em nós, um mundo.
Temos um universo inteiro aos pés.
Se prontos ou não, nem à beira do abismo tenho vertigem.
E o que mais importa?
Importa abrir as portas e janelas de uma porta que é tão grande e formosa quanto a sorte de quem espera e conquista; importa uma ou mais emoções inteiras, tão grandes e formosas quanto a sorte de quem nasce a cada dia; importa o sorriso estampado, espontâneo e amigo que, formando um conjunto de expressões, fala-nos no tempo exato o que mais precisávamos ouvir.
Importa muito conhecer tesouros do tipo que nos trazem uma liberdade que antes não se havia conhecido ou alcançado em nenhuma outra idade.
Importa não perder de vista a ternura do abrigo que se encontra em lindos corações; Importa amanhecer percebendo os milhares de motivos para viver, por saber que as linhas dos destinos se cruzam, mas não é por acaso.



1993

sábado, 4 de outubro de 2008

Permanecer “pra sempre”

Permaneça o teu mistério, as dúvidas dos outros e suas curiosidades.
Permaneça tua intimidade intacta.
Permaneça o gosto pelo desvendar, pelo descobrir.
Permaneça o teu encanto...
tudo e todos ao nosso redor falam conosco.
E interpretamos bem ou mal, interpretamos ou não
a voz de música que nos fala.



08/07/2005

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Lei do sentir

Voltar às suas origens contando os passos é como pensar no mundo todo, enfermo, e que nos faz sofrer porque faz desfilar à nossa frente seus acessórios inúteis, pois são criados a partir de modismos putrefatos.
Mas não é regra começar bem, depois ir mal e vice-versa. Pode haver uma sensação e sentimento da hora imediata.
A cada vez que nos reportamos à fantasia, procuramos somente por raras pessoas, mas certos estamos de que também sabemos ser realistas que assistem a imperfeição.
Isso é subjetivo como o desejo de alcançar o distante, tentar materializar expectativas como a existência de alguém que entenda, que não diga nada, que escute dispensando toda palavra, que estenda a mão e que olhe a nível de olhar somente.
Se é amar o que procuras, amor dispensa emoções exageradas por ser brando e por sofrer com suas próprias ondulações, mesmo vestido de inteireza, vindo não se sabe de onde e instalado em nós não se sabe por quê.
O sentimento possui uma carta real que vira a lei universal de sentimentos, e dispõe sobre a expressão com total clareza, varrendo dúvidas a respeito da veracidade dos mesmos.
A lei possui seus títulos e subtítulos, incisos e indecisos, pelos motivos que serão vistos durante execução dos sentimentos, e depois revisados amplamente pela constituição mundial da beleza de tudo o que é belo.


2005

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Doar-se

Quero soltar beijos no ar e direcioná-los aos puros, de abraços incorruptíveis.
Quero me doar dando passos em direção alguma, de alguém!
É bom sentir amor, e conseqüentemente sentir-se vivo!
Quero me doar de corpo inteiro e intangível, como qualquer mortal que não sabe contar o tempo.
Quero contar histórias felizes e sonhar a vida real.
Levar à sepultura o preconceituoso olhar que se esconde no medo de ser quem é, convidar o humano a olhar no fundo de si mesmo, nem que seja no fundo dos olhos do que não se deseja ser. E que admita sua própria condição! Se você é o que é, se você tem ou não.
Quero doar uma lágrima de saudade ao tempo e quero que se doem respeitando-me o choro, mas que não esperem recompensa!
Não espere! Preste atenção na dor que se sente, que poderia ter sido a tua...
Nem deste por falta dela porque trocaste o teu mistério e teus silêncios por uma nova chance de vida e por um modo novo de fitar os rostos, que não são iguais.
E tua contribuição na doação de si mesmo será contemplar-se em outras faces às quais poderás dizer: eu provei dos mesmos tempos e momentos de endereços desiguais.



14/12/05

sábado, 20 de setembro de 2008

Soneto da luz

O que à luz do sol me veio nua
foi a leitura das coisas puras,
tanto quanto instinto de animal
e doçura cândida de casal.

Pura por ser, farol
por si somente à luz do sol
ao som da extinção dos males,
ao som das ondas dos mares.

Àquela mesma luz de sol
veio a mim a leitura
de tua voz, teu amor e textura.

À luz candidamente sua
sonho com serafins
andando às margens de sua rua.


1995

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Se me choras

Se me choro sou todas as lágrimas que escorrem como chuva.
Se te choro ouço meu coração num soluço mudo de um amor consciente.
São vastos os campos por onde choro e me recolho a cada lágrima;
me removo e cato os meus pedaços sérios, tácitos, descrentes no existir de um abrigo.
Se me choro vão-se os olhos e vejo através da alma que as coisas da vida ferem, o mundo abandona e o verdadeiro amor sempre consola.
Ah, se me chorasses cheio de atitudes inseridas no teu corpo, corrente dos teus gestos!
Saberia ser tranqüila, ter a noite e o dia sem saber se ao menos te tenho,
se ainda te quero, se na verdade te amo.


1996

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

É tempo na hora certa

O que o tempo faz e o que o tempo não faz...
Não sabem vocês que ele não cura? Ele apenas coloca as coisas nos seus lugares.
O que é dor se despede. O que é desejo não cede.
O tempo permite que o objeto dos desvarios se destrua, seja ele qual for!
E que se transformem os afetos, os objetos, os frutos do tempo.
Um dos frutos do tempo, o amor, com ou sem ciúme, admitindo ou não a rivalidade.
Nós podemos suportá-los!
Amor, tempo, ciúme.
Desejamos existência, vida, significado. A existência do amor. E seja como for, o tempo traz amor, porque por ele, a criação de tudo.
Por não o procurarem, de repente surge e é coração, mente, artérias, memória, matéria...
Está por sobre o tempo, no ciúme que se tem em particular de pessoas febris, cativantes, freqüentadoras da nossa vida, nossa história, sem noção de suas presenças em existências, indispensáveis ao pensamento.
E no instantâneo surgimento do ciúme, há sensação de ameaça quando enfim chega o tempo de novo acontecimento, interesses, pessoas...
É o desmontar-se inteiro por sentir-se proprietário delas, pouco a pouco perdendo todo o direito sobre suas propriedades.
Não se pode continuar. Mas alguma coisa nos consome quando vemos nosso frágil ser em desvario!
É o tempo que vem e vai machucando. O tempo que inicia porções de vivências num momento qualquer...
O tempo que finda as mesmas porções de vivências deixando tudo na cor transparente da saudade... e nós, vazios de colorido.


03/10/2005

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sensação plastificada

Você não era minha vida e hoje te vejo assim, sem medo de mim, plastificada.
Você era um retrato vago, um vagão viajado nas coisas rasas e nutridas de aviltamentos.
Quem sabe tua sorte foi o lapso e o pavor de tuas dúvidas intrincadas numa história fugaz, falaz e invertida!
Serei para sempre aquela que não aconteceu e que surgiu para ser uma dívida, uma via sem ser estúpida e inteligível, o paraíso que ninguém tomou conhecimento.


1997

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Dia ou eu estranho

Hoje, um dia estranho e frio...
ou será que meu reflexo anuncia um ser estranho e frio?
Mas o dia não apresentou o sorriso matinal, a alegria por nada, a sensação de energia intensa por dentro.
Que indelicadeza com o dia virar as costas para não ser apresentado a ele!
Acordemos! Mesmo que estranhos e frios, sem vontade de sorrisos e nem ao menos com interesse em lembrar-se do que sonhou.


2005

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Horas

São tantas horas agora, que nem sei!
Mas eu tenho um nome.
Não tenho quantidade, mas qualidade, acredito em parte, pelo vivido desde o início, até as últimas velas num bolo de aniversario. Em meu corpo não tenho marcas nem tatuagens. Só tenho marcas na parte invisível do meu ser. E me embriaguei...
De juventude, de irreverência, de paixão, de visão nova, principalmente.
Também chorei por mim mesma e por alguém. Não fiz nada demais, não provoquei acidentes, não me meti em nenhum deles por vontade própria
e talvez por isso eu tenha sido metade...
Metade cheia de tudo, metade vazia de mim! Talvez eu seja agora despida de tudo, livre das metades de um tempo qualquer, a reconhecer perfumes do inovado.


2006

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Dúvida de ser tua sombra

Basta para mim ser a sombra do teu ser a amar teu infinito.
Mas, sombra...
o que sentes e o que vês, pequenina e fria sombra?
Não saberia ser tua sombra, vagando, apenas a seguir seus passos
e saber futilmente por onde andas.
Meu amor o sufocaria.
E na ânsia natural do homem de ser livre, por um vale de sombras andarias e eu deixaria então esse meu querer por não te ver e por não sentir teus sentidos enfim.
Assim, como sombra, não amaria, não te alcançaria o íntimo e nem se quer um beijo seu.


09/1997

terça-feira, 29 de julho de 2008

Completamente dissolvida

Como seria ser qualquer uma, ter qualquer ilha, estar em qualquer trilha
caminho ou sonora?
Seria interromper um pensamento para deixar-te pensar, deixar a arte se pensar por ela mesma.
Esta é a mais perfeita coisa dentro de sua própria imperfeição esta coisa de amar e criar e entregar-se a si mesmo, a ti mesmo em várias dimensões.
E se eu sou uma coisa só eu sinto uma coisa só na totalidade dos sentimentos;
e inteiramente envolvida, sou inteiramente amada, sem querer ser interrompida;
e no amor, completa mente diz sou vida.

domingo, 27 de julho de 2008

Amor X Amizade


Eles se confundem às vezes e eu não sei descrevê-los como se deve.
E ao não saber descrevê-los, resta querer sentir presente um dos dois ao menos. E querer, além disso, os laços azuis da afinidade que penso, une o teu caminho ao meu. E entre laços e sonhadas afinidades, teimo em me preocupar com tuas escolhas, teus medos, inseguranças. Porque todo o bem que possa existir é teu, por causa da minha intenção. Porque amizade é um tipo de amor, reconhecidamente fraterno...
Não é amor ao corpo, ao que a traça corrói, ao que a ganância anseia, ao que o mundo louva.
Diferente do amor envolto em desejos efêmeros chamados carnais, é sentimento que o tempo não desgasta, por ser amor à doçura de tua alma.


2005

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Aos poetas


Dedico lágrimas aos poetas vivos e aos revividos nas letras.
Choro perante meus versos e meus verbos no imperativo...
imperativo o mundo me ensinou.
Dedico a minha ânsia repentina repetidas vezes, minha alegria transparente, despercebida pela humanidade.
E faço uma dedicatória aos sentimentos mais íntimos.
Removo-me aos recintos e estou plangente entre as gentes.
Sinto como tantos e todos e sou poetisa na alma, no âmago e no espaço e renasço, pois descubro:
quem sempre tem sentimento e se expressa, esse também é poeta.


1995

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Distância

Queria te ver por dentro como se vê a transparência das águas.
Me falariam dos teus sentimentos.
Tens um talento para ser ágil e frágil...
ser humano.
Você é sim e não, entendo ou não.
Vejo o sentido límpido das coisas, e sou aquela que lhe observa com minuciosidade; aquela que em seus atos lhe admira ou lhe condena, lhe perde e lhe alcança; que te olha sem dissimular coisa alguma; aquela que lhe resgata no sonho, puro, e na verdade, na reforma, na calma, sem demora.

Porém, prefiro a distância entre nós...



1995

sábado, 19 de julho de 2008

Mistério

O mistério é aquilo que ninguém nunca viu, nem ouviu, não falou, não saboreou;
é aquilo que, a quilo, ninguém nunca sentiu.
O mistério é aquilo que ninguém jamais percebeu, que ninguém nunca bebeu nem em festa nem na Terra.
O mistério é a cama que ninguém deitou, o cansaço que ninguém descansou, os sapatos que ninguém calçou.
O mistério é a cortina que não se abriu porque o covarde treme;
é a mesa sem o manjar, é a luva que não cabe na mão, é o medo do sim e do não.
O mistério são os elementos da Terra, é a composição do ser humano,
é o encontro do nu com o pedaço de pano.
O mistério está no eclipse, está na noite e na psique.
O mistério está nos meus olhos quando choram e sorriem, quando olham nos seus olhos e vêem as portas se abrirem.
O mistério está na atitude, está no objetivo que alcançar ainda não pude...
ele está na longitude.
O mistério está no espaço que eu construo com as mãos, está no direito de um bem e no direito que todos têm.
O mistério é aquele chão que não pisamos porque não é solo, mas pisá-lo ainda tentamos.
É aquele barranco à beira de uma estrada que nunca sabemos se é certa ou errada.
O mistério são vários abismos no mundo que só cai quem é imundo.
O mistério está no puro deleite que se torna impuro quando vira um enfeite.
O mistério são barcos perdidos em alto mar;
é a cura de vários feridos e o doce gosto de amar.
O mistério inicia o inverno e faz terminar o verão.
Diante do mistério todo mundo é um grão.

1993

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Silêncio!


Silêncio não significa paz.
No silêncio pode estar uma voz embargada, a expressão muda que pede um olhar.
Melhor se escuta no silêncio que se faz, porque no silêncio a voz é inteira.
Silêncio ao redor!
Silêncio aqui dentro!
O mundo lá fora já é barulhento.



20/06/2005

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Apenas um dia

Quis ter a noite um dia na voz de um sorriso meu.
Eu queria mais que isso.
Pensei no romance que se deita e que se deleita com a sorte, ri à sós da morte e se cobre depois com o infinito do meu quarto.
Eu só queria o silêncio nas horas vagas, visitar as obras embargadas e construir ali o meu templo sem bazófia.
Apesar da corrida contra o tempo, queria relutar sobre os meus argumentos e pedir que a terra viva, que a vida não pereça, que você não esqueça de pedir que as barreiras desabem, os ódios se desmanchem, as crianças não chorem porque resta esperança.
Quis um dia ter a noite...
Mas como ela esfria!
Melhor é ter o dia para construir verdades, ver as pedras no caminho e superá-las, conquistar âmbitos não restritos, expulsar seres esquisitos...
Eu só queria que o mar se acalmasse e que os grãos de areia me escutassem; assim seria vasto o meu querer de tanto se transportar sem pedágio.


1995

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Nada

Este é o profundo visto de cima, ou de baixo.
É um pensamento que representa um dia de reflexão tão intenso que não houve a possibilidade de expressão através de palavras.
É algo silencioso, mas também pode nos dizer.



15/06/2005

sábado, 5 de julho de 2008

Atirai

Atirai pedras no mar e mostrai que não é nada demais amar;
atirai palavras no ar e mostrai que elas não são ditas em vão quando ditas com o coração;
atirai para bem longe o medo da escuridão, tirai de ti a ambição de ser humano imortal e veja que o espiritual tem muito mais para você.
Atirai o corpo na água num mergulho de cabeça, mas nunca adormeça porque poderás encontrar um lago seco se transformando em mar vermelho.
Atirai as cordas para que eu suba com esforço e sinta o gosto de uma conquista valiosa;
atirai para dentro de ti a importância que tem a vida que possui um valor que não se avalia.
Tirai de ti a discórdia que nos anoitece em claro dia nos abrindo uma ferida;
tirai a dor do peito e veja o refrigério logo após atrás de nós;
tirai as dúvidas de que existe solução para tudo porque Deus dirige teu mundo;
tirai de ti a tristeza por pensar que a beleza já não existe mais...
ela apenas adormece na palma da mão do infinito.
Tirai de ti o pensamento sem sentido porque não serias criado se não houvesse sentido na vida.
Atirai nas profundezas do mar toda desesperança...
em sua brisa e amplitude, perceba que a essência de Deus habita em nós dando passos aos nossos pés.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Ao deitar no teu colo


Foi ao deitar no teu colo...
Busquei um afago, um alívio, um consolo que possui a cor de uma carência.
Senti-me estranha, com um ar de mistério, como um profundo mar
que não se ganha.
Sufoquei meu choro mesmo sabendo que ali eu poderia extravasar qualquer sentimento.
Fui além de um momento e secaste as minhas lágrimas por dentro derramadas.
Fui além do colo, das distâncias e sonhos e uma ilusão quase se tornou parte de mim, tão acesa assim, sem receios, sem negar o que sinto,
sem omitir meu riso, tornando-me parte do teu gosto.
Assim será ao deitar no teu colo.


1997

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Pássaro que voa pouco

Gostaria de te dizer algo sobre a vida em minha pouca experiência, pois sou pássaro que voa pouco.
A vida deu a mão a infinidades de coisas, dividiu essas coisas entre a humanidade soprando-as no ar para quem quiser pegar.
Essas coisas podem ser boas ou ruins. Depende de nós alcançarmos o que há de melhor para vivermos.
Apesar dos percalços e marcas que a vida nos deixa, ela nos faz crescer, afasta de nós a insignificância de vivências tolas e sorri para nós. Basta que a enxerguemos por ângulos diversos e aceitáveis, e que nos adaptemos a cada fase que ela nos apresenta.


22/06/2005

domingo, 22 de junho de 2008

Nada demais


Nada de sugestões agora, nada de críticas nem notícias.
Agora a percepção da alma através dos olhos...
Viagem para dentro de si mesmo e que inicia em nós uma festa de euforia.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Eu disse

Já havia dito que não sei descrever um sentimento como se deve.
E sentimento se descreve?
Mas o que sei é rabiscar pequenas gotas de paixão pela vida e pelo que une um alguém a outro sem que percebam no primeiro instante.
Que importa se estou ou não ao seu lado agora? Se estou ou não em seu pensamento?
Não sei se você já viu os laços azuis da afinidade...
São eles que unem, cruzam histórias, sentimentos, vivências e valores verídicos e semelhantes. E surgem outros laços coloridos...
Laços criados por pessoas que unem seus caminhos, carinhos e destinos.
Elas se preocupam com escolhas que são feitas, com os medos infantis ou não que surgem, com a insegurança.
Essas pessoas são como aqueles amantes do amor não mascarado. Amantes do amor que não anseia o corpo nem ao que o tempo pode destruir nem ao que o mundo engrandece, e que não joga o jogo “interesses”.
Essas pessoas são amantes do que és, amantes de uma alma iluminada, amantes do valor humano.
Eu sou aquela que iniciou uma verdade, que tenta descrever sentimentos como se fosse possível abrir o peito e colher o que dentro de nós existe em forma de flores perfumadas.
Sou aquela que se importa se o teu sorriso vem do teu lado insondável, porque esse sorriso é o verdadeiro.
Sou a que deseja a felicidade constante daqueles que nunca a experimentaram. Eu falo daquela felicidade consciente, que parte da aceitação daquilo que somos e daquilo que temos.


06/03/2005

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Amizade

As pessoas não são e nem precisam ser como nós queremos, mas freqüentemente caímos no erro de idealizá-las.
Idealizamos pessoas, coisas, amigos...
Cada um tem o seu conceito individual de amizade, mas ela é algo que possui apenas um significado e é tão séria, sobretudo porque nela o amor se encontra inserido.
Pensei no meu particular sentido de amizade... mais do que no ser das pessoas e seus individuais conceitos.
Para sermos amigos é necessário estar e ser inteiro, sempre, fazendo-se presente com seu afeto e fazendo o outro se sentir amparado pela amizade.
Se um dia não sentir esse amparo, confessar-me-ei desamparada em tímidas palavras ou simples silêncio, desejando ser percebida. E estarei atenta ao ponto que reclamar, pela indispensável manutenção a qual exige a amizade - um tipo de amor que só conhece quem é puro de coração.



2005/04

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Busca



Uma tristeza condensada no peito revela uma entrega disfarçada de alguém que sonhas ter inteiro.
A ilusão cega faz achar que encontrou razões fundamentais, sentimentos reais.
Procuram o superficial.
Encontras o vazio daqueles que divagam procurando encontrar a moldura a qual pertencem.
Perdem-se e se distraem abstratamente no nada que dentro de si encerram.


20/03/02

domingo, 8 de junho de 2008

Afazeres


O que tem de ser feito se a raridade não se percebe, e quem é raro, finge que não sabe?
O que deve ser feito se a chance é agora e a hora não permite o erro, a dúvida, a dívida?
O que tem para fazer se a casa está desarrumada, as panelas guardadas
e a fome enfileirada?
O que pede o coração? Quem possui a solução?
E o futuro? E tudo?
Deus proverá.


1995

sábado, 7 de junho de 2008

Amar do meu jeito

Ainda é cedo. O dia é inteiro.
Não saia do quarto, não saia da sala, do jardim; não saia da vida.
Saia da ausência do que ainda não vivemos e não se perca de mim.
Não deixe meu sonho vazio, as cores neutras, a música sem acordes, o complexo com nexo.
Ainda é tão cedo, a vida sorri.
Há sempre o que dizer!
Temos a boca, o gesto, o olhar.
Me revelo, mostro o que é amar do meu jeito.
Ocupaste-me todo espaço!


03.03.02

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Daria certo



Abandonar tudo por alguém, não abandonaria. Deixaria o imprestável, abandonaria os abandonados suspiros de vazio e preencheria nossa saudade de qualquer coisa, pretendendo inundar-nos da escolha certa: a vida!
Fugir com alguém, não fugiria. Fugiria para dentro de nós. Fugiria para a criação de um novo mundo. E na junção de um sonho de mundo meu e um mundo de outra mente, formaríamos “o lugar”!
Daria certo.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Canto do quarto fechado


Há uma voz reprimida e seca, um gesto que não encontra saída, uma fala que ficou para trás para ser dita algum dia.
Há uma música que ainda ninguém compôs...
é a música do realizar-se, do completar-se.
Há uma aprendiz do expressar-se na interpretação da canção sorriso.
Meus pés querem me levar para um lugar onde se toma a posse do direito e do poder de ir e vir.
Um coração generoso e uma mente fervilhando idéias de como consolar e confortar alguém ainda pulsa, ainda espera.
Meus olhos ainda esperam ver o tempo que passa depressa passar e deixar uma vida construída e satisfeita, em vez de passar e deixar um vazio que nem um mar de lágrimas preenche.
Há uma dor no canto do quarto fechado que tudo presencia sem dizer palavra e ainda assim espera o tempo determinado chegar.



28/11/06

domingo, 1 de junho de 2008

Do bem ou do mal

Fui ver o que perdi à minha volta e de algumas coisas, bem ou mal nem dei por conta, não me fazem falta.
Outras eu tive sensação de perda estúpida.
São coisas que não retornam, que mudam sem permissão, que boicotam o prazer de sonhar.
Perdi o sono. E quando perdi o sono notei que perdi a calma.
Mal pude esperar pela chegada da noite para recuperá-lo – o sono – todo envolto de sonhos, trazendo brilhos até na noite mais escura e até risos de anjo, como o riso de quem adormece, mesmo sendo atroz.
Porque o que dorme, quando dorme é ou parece inocente, frágil, indefeso, anjo...
do bem ou do mal, adormecido.
E bem ou mal, perde-se também a crença em certos risos de anjo que por fora aparentam verdade, por dentro nos fazem perder o sono, a calma e o próprio riso.



01/11/06


sábado, 31 de maio de 2008

Sem asfixia


Não diga que ama sem ter consciência de que ama, porque é como amar espectros de tua imaginação.
Ama-se um sonho ou universo criado pela solidão. Mundo que se inventa como para fuga de si mesmo quando não é aceitável a distância nos sentimentos.
Como dizer que ama se não descobriu?
Ama-se uma fantasia ou página escrita de surpresa, como enredo preparado pelo destino.
Pode-se afirmar que se ama se quiser, mas não seja mais uma vítima do engano, não se divida sendo um lado contido, outro sem sentido, porque amor de aspecto límpido nada exige nem asfixia o que poderia ser.


03/2002

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Fugir, jamais!

Não quero fugir do teu abraço ou detestar o meu afeto.
Não evito olhar nos olhos. Ainda arrisco.
Não me retiro do pensamento, pois ainda existe algum encanto.
E num desfecho qualquer, me redescobri ainda que tarde.
Me descobri retirada, em falta, a ser completada.
A falta me roubou de mim mesma em algum lugar no tempo.
E me devolve a mim mesma quando imagino que existe uma vida a mais entre alguma alma e a minha.


11/05

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Minha vida eu não entendo...

Quanto mais meus sentimentos!
Às vezes sou só o que sou: mais uma vida na imensa bola azul.
Pergunto por tudo que tenho chance e nem sempre há resposta. Então...
Minha vida eu não entendo. Quanto mais meus sentimentos!
Porque não voltarei a ser criança para não retornar a um martírio de infância.
Porque às vezes sinto dores invisíveis, e também as que sinto na pele.
Depois eu uso válvulas...
Daquelas, de escape, usadas para fugir da tristeza ou solidão, e coleciono coisas e sentidos sem forma.
Eu entendo a minha vida? Não.
Que dirá meus sentimentos!
Escapa ao meu domínio essa situação fastidiosa porque a confusão é esta: querer o verde, mas gostar do azul. Querer vida e gostar da paz.
Acho que sou um papel e uma caneta!
Talvez uma história que escreveram e deixaram para que fosse escrita
por outra mão.
Quem sabe sou uma pintura de aprendiz, um quadro que pintaram e depois vieram outras pessoas e fizeram “a releitura”. Não sei se ficou melhor ou pior!
Minha vida eu não entendo...
Quanto mais meus... os sentimentos!
Porque sou inconstante demais para ser tudo para alguém.
Ora sou livre dos temores, ora sou como uma faixa de um disco sem música ou música sem notas.
Agora imagine a decepção do som sem notas!
E a cor da vida? E a voz? E a expressão de toda face?
Minha vida não entendo!
Quanto mais a frase do desfecho!
Melhor é pegar um bom cacho de uvas e devorá-lo enquanto relaxo
do enfado do mundo numa rede bem charmosa!



2005

terça-feira, 6 de maio de 2008

Raio


Raio,
um sol
ou luar
não vazio de si mesmo.
Duas vias:
um caminho
e seu atalho
em direção às flores
da essência de um desejo.
Não medo!
Abrigo,
preciso,
acordado em poesia e honra
de tua alegria.
Espírito
profundo,
naturezas no mundo.
Num minuto
mundo enfermo.
Segredo
abstrato.


01/05/2007

terça-feira, 29 de abril de 2008

A ética no pensamento


Podes ser o que quiseres, quem quiseres...

só não é fácil quando se tem a mente livre demais, sem que tudo à sua volta possa lhe acompanhar.

Podes alimentar a fantasia, robustecê-la, fazê-la corar de saúde.

Alguém que vira fantasia é tudo aquilo que se quer, além de todas as impressões e sensações de momento. Alguém que vira fantasia não pode permitir que o fantasiem sem respeito, pelo dever que existe em proteger a quem habita um pensamento.

2006

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Amor

Amor é dom a ser manifestado, é uma nova maneira de ver o mundo, as pessoas.

Amor é para muitos, aquilo que se presume não estar em nós se ainda alguém não o fez surgir.

Há quem diga que ele adormece na expectativa de ser despertado por um encantamento.

Há quem viva de amores e não de amor, pois sem refazer-se de um relacionamento findo, já mergulha em outro levando consigo resquícios do anterior, com possíveis vícios.

Amor que entendo amor, não se constitui de fragmentos, não busca ser apenas razão ou ressentimento, porque é sereno.

Há quem deseje encontrar a sua metade...

Há quem precise entender que se não somos inteiros para fazer parte da vida de outro alguém, não seremos sequer metade... seremos vazio.

Diz-se que um ser completa o outro... mas quem disse que os que se completam são metades?

No máximo somos de tudo um pouco... somos respeito, cumplicidade, paixão, carinho, desejo, entrega, amizade, empatia, sinceridade, candura, emoção, iniciativa, sorrisos e lágrimas, história, companhia... somos o melhor que podemos ser.

Somos um conjunto de sentimentos, e assim somos completos para nos unirmos a um outro ser completo.

Então amor é dom, é nova visão, é brecha para significados diversos, é relacionamento, é o inteiro que divide o “de tudo um pouco” dos sentimentos.

Amor é ainda mais... é a junção entre as entidades corpo-alma-espírito, pois um sem o outro o que é?

E tudo é uma secreta linha de união que preenche, é aliança entre esses mundos interiores que identificam o ser humano como essencialmente amor.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Passou da hora

Já passou da hora de escrever sobre a vontade gigante de quem é inconstante; passou da hora de escrever sobre o avesso de quem não se acostuma com a rotina, o tédio, a dor...
É invenção da vida moderna sentir-se a mais reles das criaturas do mundo inteiro num dia nada bom, e reclamar da vida como adultos infantis, que não sabem lidar com as próprias insatisfações.
Há de surgir uma nova maneira de viver sem se machucar tanto e partiremos em busca de algo novo, mesmo com recursos escassos, pouca imaginação, ou sem saber o caminho, ou sem ter o mapa do tesouro do novo.
Nada se sabe sobre a ordem e a direção, e sabe-se um pouco mais sobre o caos da procura desordenada, comumente perseguida pelas gentes solitárias em meio a tantas outras gentes na mais chocante das solidões.
É a sensação de abandono, como uma pétala de flor esquecida e ressequida dentro do livro da nossa vida que nos comprime tanto. Cada palavra lida, coincidentemente mais erros que acertos de quem imagino que somos: aprendizes de reta direção.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Concede-me apenas


Concede-me, vida!
Celebrar o poder de habitar sofisticadamente as dependências de paredes macias de um amado coração.
Concede-me também regalar-me com a lúcida certeza de que viver vale a pena sempre, seja como for.
Concede-me fazer a leitura da minha história, apesar de não compreendê-la a fundo.
Me permite fazer uma releitura?
Mudar umas cores, umas figuras e palavras ditas e não ditas.
A culpa não é minha totalmente.
São os mistérios inerentes a mim, pois lembro que sou humana e que tenho outro lado que não conheço. Ele é presente, mas nem tão visível.
E transforma-se em tentação descobrir-me em armadilhas que me preparam o momento.



04/2006

terça-feira, 15 de abril de 2008

Outra história

Agora é outra história.
As palavras que antes fluíam, agora me faltam, fogem sem pena do vazio que resta quando não choro, mas escrevo.
Ficou o desejo desmaiado e um choro sem grandes pretensões, a não ser tentar esvair-se.
Agora nem gotas nem lágrimas nem nada.
Sentimento bom.
Nenhuma lembrança ruim, nada de mal.
Graças a Deus.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Andei vivendo

Andei trocando as pedras no caminho.
Talvez pedras pequenas como pequenas dores, como fome de passarinho.
Andei olhando para dentro das pessoas e sendo avessa às formas diversas
de tentar iludir-me, pondo coroas sobre cabeças que pouco merecem.
Andei calada num dia para pôr ordem na casa-labirinto, em lados opostos distintos de paredes que me filtram, absorvem meus indos e vindos, meus ventos, meus sustentos.
Andei pensando em você e em como você me vê.
Será que sou para você tal como sou ou como relatam?
Andei pensando, andei querendo que você me conheça primeiro e que não acredite num terceiro.
Andei me tocando no tempo para ver se ainda me sinto, se ainda me entendo.
Andei acreditando que nem o tempo, que nenhum outro advento irá mudar meu sentimento.
Andei te olhando no fundo... um lado que não se vê sem olhar profundo.
Andei recordando o não vivido, o repartido por ser comum a toda alma.
Falarei das coisas que andei sentindo, se andei sorrindo, se me vi partindo.
Falarei do amar e do amor, do mar e do sabor de andar pelo pensamento,
pelo mundo e por dentro.


Ano: Mil novecentos e lá vai caquinhos...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Querer


Queria dizer aquilo que se diz quando se ama, mas não tem graça dizer ao nada ou dizer ao vento para se sentir humano, do tipo que ama.
Queria dizer outras coisas que não se tem audácia de dizer, mas sem ser vulgar, sem ser dura, deselegante.
Essa vida de querer quereres é exaustiva, enfadonha feito fronha chorada durante a noite da decepção ou de alguma outra dor.
A dor pode ter tantos nomes, mas a essência dela é a mesma: marca.
Depois, se a gente quiser, ainda crescemos e aprendemos através dela.
Outra vez o querer...
“se a gente quiser”...
podemos, se a gente quiser, achar alguma graça nos infortúnios da vida e nos divertirmos com eles, crescendo feito gente grande, olhando em direção a algo novo que esteja querendo nascer.
“Querendo”...
Outra vez esse querer!
Querer que nos movimenta e nutre e não renuncia nem ao débil poder de conquistar tudo até que se alcance todo o bem querer.

01/11/06

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Olhar pra frente e viver

Um dia a gente aprende que quando pensa que não conseguirá viver sem algo ou alguém, de repente se dá conta de que consegue bem mais do que imaginava, que é sacudir a poeira, olhar pra frente, superar e enfim viver.

domingo, 6 de abril de 2008

Bendizer a quem tu amas

Bendita criação de Deus!
Decididamente linda forma humana!
Bendita a criação com tantas essências e perfumes durante tua criação derramados!
Bendita criação com riqueza de gestos, que iniciou uma jornada na Terra e que em suas mãos foi entregue a liberdade.
Bendita criação que sorri e faz sorrirem!
Que faz a gente se identificar no que diz não apenas a voz, como também a alma, em interpretações sobre a vida, conscientes dos sentimentos inseridos em cada palavra!
Certamente pessoas puderam contar contigo e assim lhe ofereceram o próprio coração!
E te sonham, e insistem a te colocar nas próprias fantasias como protagonista, transformando-te em parte da vida delas.
Bela criação que trilha caminhos pela liberdade que lhe foi concedida,
que faz escolhas e é observada de lá de cima por Deus.
Criação que pode decidir toda manhã como quer que seja seu dia;
que pode driblar as artimanhas e percalços da vida, começando a decidir o que afetará ou não seu estado de espírito...
Criação divina que pode vencer a ação do que se opõe à sua alegria de viver e disposição para o novo...
...porque és um ser positivo, brilhante, abençoado.E assim permanecerás enquanto escolheres toda sorte de cores, e todos os sabores de todo bem que se acercar de ti.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Sensualismo e sensibilidade

Aproximar-se da sedução desvia o curso natural das coisas. É vista e revisada a pele do seu corpo e o desejo atinge a coragem de fantasiar e possuir. Visto o pedaço do teu ser material, existe então atração, existe você, única multidão...
o que povoa pensamentos, o que desfaz as cicatrizes de doridos momentos.
E qualquer que seja o movimento, a mente reconhece seu potencial de se entregar, agradar e se agarrar na volúpia. E feito imã, atrito e atração física.
Não mais que remover-se aos aposentos e criar com intuito de um casar-se com três poderes: olhar, seduzir e apaixonar.
Somente o momento, sentimento padrão da hora e pouco sentido...
não mais que jogar e ganhar prêmio que lhe satisfaça num remendo decorado, num vazio recordado depois de uma carência. Vem e ameaça, explode e mata, com ou sem rancor.
Se não enxergar simples sedução ou não deixar-se seduzir, é puro o disfarce, é sério e tentador descobrir e descobrir-se amando, amado, sob roupas e escudos, sob capas e arbustos na transparência com que são vistas e revisadas pessoas com olhos cândidos que enxergam além da pele e da libido.
Ao ser visto o teu ser espiritual, o gosto da conquista de amar a quem precisa, nasce de formas abstratas concedidas a quem percebe o interior de tudo o que é singelo, belo, atraente; e ao final, deseja-se a simples presença bem mais que a concupiscência.


1995

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Marcas


O tempo faz alguma coisa das marcas das pessoas.
As vidas julgam o valor que têm as marcas.
Mesmo assim o tempo faz algo dessas marcas.
O tempo transforma as marcas em pedaços de coisas que parecem tudo, ou as transforma em nada.
As marcas falam e calam.
Nelas às vezes se perdem os sonhos, os humildes perdoam, os antigos aconselham, os bravos persistem e crescem.
O que aconteceu sara, caminhos prosseguem, a lembrança chora, o esquecimento reconstrói um novo pensamento.
Mas as vidas pulsam celebrando a existência do bem, do belo, do aceitável, de tudo que se renova ou contribui para isso.
O amor finalmente chega e vidas se completam, sorriem de novo e criam novas esperanças, pois o amor é um ciclo interminável de emoções.
É o amor que faz as marcas serem superadas, vence o tempo e as distâncias e traz um novo significado para todas as vidas.

01/04/2005

segunda-feira, 31 de março de 2008

Saber quem é

Saber quem és...
Você saber quem é, é fazer parte de uma minoria, enquanto a maioria faz apenas conjecturas sobre si mesmo.
Um dia você vai olhar para trás e vai perceber que se descrever como quem se conhece, não é comum.
É difícil captar o essencial de si mesmo.
Vivemos a vida aprendendo, tentando...
Temos uma vida inteira pela frente e precisamos de algumas pessoas para nos ajudarem a nos sentir.
Vivemos procurando evoluir a cada tropeço, a cada queda, a cada decepção, a cada novidade.
Tem momentos que sou menos madura que uma criança, e outros momentos, querendo ser mais...
E você?
Não me diga que me permitiu te revelar como se revela uma fotografia!
Não diga que agora sei de você mais do que sei sobre quanlquer outra pessoa, porque ainda nem olhei no fundo dos seus olhos!
Ainda não convivi com você nem sei das suas artes e manhas, ainda não discutimos prós e contras.
Os olhos podem disfarçar e mostrar o que queremos dar a entender, ou o que os outros querem ver, mas sei que sou capaz de te perceber e te dizer do que discordo:
que o amor que não é cego, não é amor. Porque amor pra mim é sobretudo consciência. Ser consciente de que ama alguém por tudo o que ela é, e tudo mais.
Eu diria que amor que é cego não é amor...
é deficiência!

quinta-feira, 27 de março de 2008

Escape


O escape é para todos.
O alívio é para todos.
O senso, o grito e o silêncio.
A dor também.
Para sobreviver no meio do caos alguém canta.
Para sobreviver no meio do caos alguém dança.
Para sobreviver no meio do caos, desenham-se formas ou escreve-se.
Estes são escapes, alívio que diverte, é o senso e o grito, o silêncio que se silencia, e dor também.

01/11/06

quarta-feira, 26 de março de 2008

Carpe diem!


Carpe diem...
Se não entendeu, eu explico e repito: aproveite o dia... de hoje, de preferência. Não se esqueça de que o sol sempre nasce no leste e se põe no oeste. E que se você escreve a quem for, e você se empolga ou esquece de um detalhe, acrescente num post script (p.s.). Se ainda assim você esqueceu de mais algum detalhe, use um post, post script (p.p.s.). Quem lhe condenará por isso? Você não é surrealista, mas se for, você é daqueles que vai além do realismo. E os pés? Estão ou não no chão? Sem crise! Sem trauma! Mas por que falar em trauma agora? É que a palavra trauma é grega e significa ferida. As feridas não são legais. São medievais. E o que dizer da expressão que usam por aí? “medieval” Usam-na em sentido pejorativo para referir-se a tudo que se parece demasiado rígido e autoritário. Sabia? Eu não! É diferente de ser “fatalista”, que é acreditar que tudo o que vai acontecer já estava determinado previamente. Também não sabia!

terça-feira, 25 de março de 2008

A favor...



...do tempo.
É nele onde estamos
e nele nós deitamos tantas vezes, tantas noites ou dias.
O que mais lhe atemoriza além das horas que passam?
Porque lhe trazem outros rostos de rugas, outras curvas sinuosas ou quebradas.
Não vês o que sentes?
Deixe a cegueira para os dementes.
Não vês que o tempo passa e que queremos demais, pensamos em tudo demais?
Até no que pensado já está.
Não vês que agora é dia e que daqui a horas será noite?
Não vês que está tudo claro demais e que poderá tornar-se escuro demais?
Há quem me escute?
Ah, se me escutassem sobre o tempo!
Pois tudo está e será a seu tempo.

1995

sábado, 22 de março de 2008

Tão iguais


Há anos escrevi pensando que o que eu escrevia era novidade, notícia em primeira mão.
Enxerguei que não há novidade no pensamento da humanidade e vi o quanto somos “tão iguais”!
Seja bom ou mau pensamento, é muito igual.
Pensamentos são muito humanidade.
São pensamentos parentes, gerados no local de sempre.
Que pensamento é de quem?

terça-feira, 18 de março de 2008

Arte principal


A arte principal
é ser pela moral,
pelo respeito a si mesmo,
ao semelhante.
A arte principal
é querer ver organizado
o mundo que puseram
em desordem,
resgatar a moral,
recuperar o respeito
que dorme na inconsciência.

1996


segunda-feira, 17 de março de 2008

Essência da felicidade, nosso desejo

Quero multiplicados anos de vida para nós. E que esses multiplicados anos de vida tenham o formato da saúde mental, do amor, da paz interior tão almejada, da harmonia com toda gente, o formato da prosperidade espiritual. Assim, nossos receios e dúvidas serão substituídos pela segurança e certeza.
E a felicidade que nos desejo?
Ela já existe dentro de nós, você sabe!
Existe dentro das pessoas que não sabem ainda como encontrá-la porque a buscam nos lugares mais improváveis...
fora delas.
E deságuam num vazio inexplicável.
Por questões diversas – corre-corre, a vida que não pára – a felicidade permanece despercebida, e não sabemos interpretá-la.
Administrando bem o tempo, as prioridades, a saúde mental, espiritual, certamente a alcançaremos.
Por isso, desejo sincera e conscientemente que nós consigamos administrar bem nosso tempo, junto ou separado, de modo que a percebamos nos recônditos do nosso ser a todo instante, porque felicidade não é como a alegria – momentânea, intermitente. Felicidade não é um estado de espírito – este freqüentemente se modifica. Felicidade é constante!
Não se vive feliz pela metade, feliz por um instante, pois a felicidade é inteira, é uma conquista da nossa consciência através dos nossos valores firmados e nossa aceitação daquilo que nós somos e daquilo que temos.
Que nós a encontremos inteiramente em todo o momento, sem dar espaço para a tristeza – roedora de sonhos e prazeres genuínos.
Tanto os bons como os ruins sentimentos existirão enquanto nós permitirmos.


23/06/2005

sábado, 15 de março de 2008

Ponto de vista


Somos feitos ao natural, do pó da terra.
É humano? Então é terra, é água... frágil como um fio de certeza no amanhã.
Escolhe o fogo, mas não escolhe o ar que respira.
Quando humano, é vida até a exaustão, é luta diária contra o desumano, contra a parte estranha de si mesmo.
Quando concorda, o outro discorda gritando o que acredita.
Quando discorda, está tudo bem! É assim que o mundo eu e você gira.
Depois vem a lágrima um dia.
Por detrás da lágrima, lacrimeja um sorriso que acredita que será manifesto depois, porque o sorriso reage e se fantasia de felicidade.
Ao natural nós somos sal, sol e suor. Somos os “ésses” da rotina das curvas sinuosas do que pretendemos perigosamente.
Quando somos armas, nos defendemos nessa batalha de não aceitar o que facilmente aceitam e assim protegemos o segredo que a alma guarda, que é o fim da batalha consigo mesmo.
Nos protegemos da descrença em tudo para não terminarmos vazios, à mercê dos ventos frios.
Cansados de luta – por hora – vem o sossegado apego de repente, e vira o outro lado da trincheira, mais calmo, mais cômodo, porém ainda recebendo bombardeios de dúvidas entre os antagônicos conceitos: necessário e imprestável.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Valor da gente

Não valemos nada!
Ter consciência disto, ainda que cruamente lembrado por alguém, é importante.
Frágeis, falhos, inseguros, pretensiosos, vaidosos, errantes pelo mundo, completamente e enquanto vivermos, dependentes.
Frágeis não apenas porque choramos pelos sentimentos que estamos sujeitos, mas porque somos simples mortais; falhos não apenas porque às vezes fazemos tudo o que queremos sem regras, mas porque sabemos que existe uma lei e não a cumprimos; inseguros não apenas porque muitos não sabem o que será de suas vidas, mas porque não sabem e nem procuram convenientemente o caminho que leva ao Porto seguro (Jesus Cristo); pretensiosos não apenas porque pensamos que nossas verdades são irrefutáveis, mesmo que seja provado o contrário, mas porque pensamos que já sabemos tudo e temos à nossa vista tudo o que precisamos; vaidosos não apenas porque existe a ilusão de estar seguro naquilo que possuímos, mas porque acreditamos que oferecemos real segurança e que estamos seguros nos braços de outro mortal igual a nós; dependentes porque temos necessidades básicas a serem supridas, além das necessidades que criamos. E na maior parte das vezes não nos damos conta de que sem certas coisas somos capazes de sobreviver.
Precisamos usufruir do que plantam e colhem, dos que instruem, criam, medicam, alegram...
Precisamos da água que banha a alma de virtude e que nos sacia continuamente.
Somos dependentes porque precisamos uns dos outros, precisamos de nós mesmos e por isso precisamos não nos abandonar na estrada da vida.
Não valemos nada quando não somos humildes, reconhecendo que somos necessitados de tudo e ainda somos arrogantes às vezes (arrogante = ego+ignorância); não valemos nada porque nossos corpos ao tombarem nesta terra, se desfarão em doze litros de água.
Não valemos nada porque e quando...
Somos necessitados de curativos de alma, de cuidados particulares desse nosso precioso bem e que nem sempre sentimos sua existência nem seu valor.
Se nos permitirmos ser dispersos, traremos com força o medo de tudo, a loucura da vanglória, o ambicionar o impossível e que resulta em frustração, o sonhar sem os pés no chão, o horror do ódio de um coração ressentido, e todo o tempo do mundo para bobagens.
Conquistaremos assim a aflição de espírito, a desesperança, ilusão e vazio.
Pensemos nas grandes conquistas de valor para reavaliarmos o valor da gente.

13/07/2005