Sobre textos e pensamentos religiosos

Caros leitores e seguidores do meu blog,

Em relação aos meus pensamentos e textos religiosos, quero que saibam que não estou impondo como verdade absoluta aquilo que sinto e acredito como correto. Cada pessoa tem sua experiência e seu sentimento com Deus.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Acreditar na vida...

"É ter esperança no amanhã. Saber que após a noite vem o dia. Viver intensamente as emoções! Pular de alegria. Não invadir o espaço alheio. Ser espontâneo. Apreciar o nascer e o pôr-do-sol. Amar as pessoas incondicionalmente. Aproveitar todos os momentos...Vencer a depressão! Confiar na voz da intuição. Perdoar as pessoas. Estimular a criatividade. Não se prender a detalhes. Brincar como uma criança. Chorar de felicidade... Deixar para lá. Ter pensamento positivo. Respeitar os sentimentos dos outros. Rir sozinho. Saber trabalhar em equipe. Ser sincero. Encontrar a felicidade nas pequenas coisas. Entender que somos pessoas únicas. Dançar sem medo. Não se apegar a bens materiais. Respirar a brisa do mar. Ouvir a melodia suave de uma fonte. Observar a natureza. Gostar de um dia de chuva. Ter motivação! Enxergar além das aparências. Descobrir que precisamos dos outros. Esquecer o que já passou. Buscar novos horizontes. Perceber que somos humanos. Vencer a nós mesmos. Ver a beleza da alma. Sair da passividade. Saber que a vida é conseqüência de nossas atitudes... Não procrastinar as decisões. Mimar a criança interior.
Deixar acontecer... Praticar a humildade. Gostar de calor humano. Curtir as pequenas vitórias. Viver apaixonado pela vida! Visualizar só coisas boas. Entender que há limites. Mentalizar positivo. Ter auto-estima. Colocar sua energia positiva em tudo que realizar! Ver a vida com outros olhos... Só se arrepender do que não fez. Fazer parcerias com os amigos. Crescer juntos. Dormir feliz. Emanar vibração de amor... Saber que estamos só de passagem. Melhorar os relacionamentos. Aproveitar as oportunidades. Ouvir o coração...
Acreditar na vida!"

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fragilidade de tudo

Um dia tudo esgota-se, a gosto particular...
As palavras... porque perdem o sentido de serem ditas deste ou daquele jeito; aquilo que era antes... porque não se cultiva mais o sabor do início que foi tão bom; um tipo de sentimento... porque dão lugar a outros sentimentos; alguma vontade... porque mentem para a gente; a materialidade... porque etérea é a presença de um anjo; a surpresa... porque é revelada; uma novidade... porque o novo às vezes converte-se na junção de algo que já existia, com aquilo que pensava-se ser novidade.
Tudo cansa... porque luta-se para guardar o que é bom; tudo passa... porque enluta-se e depois tudo se renova.
Misteriosamente o que se pensa não passar, transforma-se... porque o que não passa não se entende... porque significa.
E geralmente o que significa – e enquanto significa – não morre, não se rende, é importante.
Quase tudo rui (de ruir)...
Flui maquinando estratégias para ver se continua inteiro, mas rui assim mesmo.



08/10/09

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Considerações finais

Idealizei um destino de poesia que se transformou em pensamentos. Descrevi meus pensamentos considerados “quase poéticos” por mim por força do destino, como se eu inspirasse poesia e expirasse uma tentativa frustrada.
Eu aspirei pela poesia...
Acredito que me vejo como um ser tão livre que transportei esta liberdade para minha linha de expressão, que transita entre o real e o imaginário, correntes invisíveis, mas presentes em diversos mundos.
Minha temática é o abstrato das palavras, o retrato da vida, seja minha ou emprestada; é a letra em várias fontes e cores, a canção que tem por título a vida, e que possui uma forte tendência romântica.
A minha sensibilidade apresentada é crítica, ou melhor, acentuada, mas tão acentuada que se assemelhou ao inacabado, como algo até rasgado, quase excluído da existência do mundo dos poetas.
De uma construtiva crítica, surge inevitavelmente uma reação que não deve machucar ninguém nem me machuca, mas me intriga.
Talvez acreditaram que meus conceitos sobre a vida são previsíveis ou ingênuos.
Eis o construtivo de uma crítica! Um pretexto a mais para mim para escrever e descrever as coisas solidificadas do tempo presente, ausente e consciente.


2005

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O que é felicidade?

A felicidade pode ter vários significados...
ela é o que você achar que é e ainda o que ela é na verdade!
Se você acha que a felicidade é um estado de espírito, alguém pode até debater com você e dizer que não, mas enquanto você acreditar que ela é isso, ela será.
Se você acha que felicidade é ter bens materiais, uma vultosa conta bancária, ela pode ser isso também! Vai depender de você.
Se você acha que felicidade é ter uma pessoa maravilhosa ao seu lado e ter posse sobre ela como se ela fosse um bibelô, ela é isso também! Vai depender de você.
Se você acha que felicidade é ter fama, ou ter um corpo sarado com saúde perfeita, ser popular e ainda uma chuva de pretendentes suspirando por você, ela é isso também! Dependerá de você.
Mas existe alguém que acredita que no mundo existem apenas momentos de alegria. Às vezes esses momentos são tão intensos que é possível pensar estar experimentando a felicidade.
Existe alguém que acredita diferente... acredita que felicidade só pode estar relacionada a Deus porque a felicidade é plena; equilibrada; intensa; ímpar; é um estado que não se modifica.
O contato com o Criador, a amizade com Ele, a devoção a Ele, conseguir tocar o sentimento divino, vencer as batalhas nos lugares celestiais (não cedendo aos caprichos do corpo) e conquistar a pureza e simplicidade como se voltasse a ser uma criança, experimentar tudo isso, essa entrega é felicidade para mim.


2006

domingo, 27 de setembro de 2009

Estrela

Estrela luziu, sem prometer nada.
Retomaste teus pensamentos quando entraste em teu solitário quarto. Para ver se consegues esquecer a solidão, pensas que queres dormir. Precisavas dormir, apenas. E tudo ficaria bem.
Entraste no teu solitário espaço pensando no quanto tua vida precisa de sossego. Sem apegos, sem tensões.
Colocaste teu rosto no pó e pensaste em algumas palavras para dizer. Elas saíram vazias, frias, necessitadas de mudança.
Como desejaste escutar a voz de Deus! Como desejaste senti-lo!
Tentaste esquecer outra vez da solidão, mas o que se encontra vivo em ti é o que sobressai e grita. Solidão sem dor.
Deixe viver o melhor de ti e sempre escolha a melhor parte.
Por fora tens um sorriso, por dentro te sentes em pedacinhos. Pedacinhos que machucam cada vez que te olhas e vês aquilo que nunca serás: a pessoa que possui o mapa e o livro da própria vida sem rasuras, intacto, e que nunca foi violado por outrem.
Ou estás cercado de egoístas, ou uma obra aconteceu. A obra do amadurecimento-consciência de si mesmo, que é aceitar tuas mazelas acreditando que isto é uma situação que não irá te consumir. É aquela coisa de saber que tens teus problemas, mas também saber que ninguém tem nada com isso. E este é o pior dos problemas!
Agora te cansas de tudo, porque parece que nada tem graça. Ora te vestes de euforia por nada, ora és todo vazio. O melhor de tudo é que sabes: isso é coisa que passa, porque precisa ser assim.

sábado, 26 de setembro de 2009

Meu apreço

O meu apreço direciono aos que fazem sorrir meu coração, aos que me deram novas e belas paisagens para contemplar nos momentos difíceis. Pessoas que quando me escapam por algum motivo, sinto saudade. Meu apreço, àqueles que souberam atrair minha atenção para a beleza da vida, mesmo quando eu não estava disposta a reconhecê-la. Em meio à agitação do mundo, direi, nem que seja por transferência de pensamento ou gesto, o que sinto por elas. Quem sabe poderei abraçá-las! E com meu abraço poder transmitir meu afeto.Direciono meu carinho aos que nunca deixarei de amar porque é como se tivessem se tornado pedacinhos de mim e que contribuíram para me tornar o que sou.Meu carinho, aos que souberam me aconselhar quando me senti sozinha, me ajudaram a entender coisas da vida; aos que me disseram sem muitas palavras que a vida é como uma estrada que ninguém sabe aonde termina, e que importante é quem nos dedica um pensamento bom mesmo estando longe; aos que me disseram em outras palavras que a vida tem por sobrenome “única” e é uma oportunidade para se conhecer a felicidade que mora em nós, e que a vida é breve, que todo instante tem grande importância, e que cada pessoa tem seu lugar na vida de alguém.

2005

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Não sei o que de mistério

Minha vida é um não sei o que de mistério que gira como o mundo e com o mundo todo.
Muitas coisas me ferem e tem momentos que não suporto olhar no espelho
por mais de dez segundos. Não suporto porque não vejo apenas meu rosto.
Vejo as necessidade humanas que clamam, os objetivos às vezes extravagantes, meus erros enfileirados, depois fora de ordem como meu quarto em meu momento de depressão, que não permanece por mais de dois dias.
Vejo ainda mais...
As lágrimas derramadas ontem, as de uma outra madrugada qualquer, vejo risos e lágrimas e mais risos ainda.
Vejo os dois a se mesclarem numa trajetória de vida que com lágrimas inunda e escoa águas doces e salgadas que preenchem os diques da minha alma, a ponto de se arrebentarem por tudo ou por aparentemente nada.


09/05

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Monólogo

Preciso falar, mas não querem escutar.
Me dêem um minuto!
Os minutos não são meus nem de ninguém. Então direi o que tenho a dizer de uma vez.
Quem já conseguiu se perdoar por ter sido incoerente com os próprios sentimentos?
Quem já conseguiu se perdoar por ferir alguém se afastando por medo do sentir?
O que ninguém sabia é que já estava previsto que isso aconteceria um dia, mas mesmo assim arriscam-se a continuar sem medo do medo de outrem.
Já sabia que não somos donos de ninguém e que os relacionamentos não vêm com garantia de eternidade.
E para quem já traiu, nada o justifica!
Algo se quebra e não dá para colar os cacos porque sempre ficará faltando alguma coisa. São os pedacinhos estilhaçados que não admitem remendo.
O amor é capaz de reconstruir as vidas, mas as feridas não cicatrizam depressa, assim como a pressa de reverter o mal feito. E continua-se acreditando no tal sonho de pedreiro querendo reconstruir!
Se não faz bem, mal não fará! Mas não peça, traidor, para acreditarem junto, porque agora cada vida segue seu caminho.
Vai ser mais digno aceitar o fim da história do que implorar algum perdão.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Pouquinho do amor

Ele me convidou a amá-lo até mesmo na solidão...
É uma magia figurada que me trouxe lembranças, e junto com elas a sensação de ter vivido em circunstâncias reais com alguém que desconheço.

sábado, 19 de setembro de 2009

Ideal de amor

Você diz não ser amado, pois reclama uma forma ideal...Não se perca no seu ideal de amor! Aceite o amor que lhe cabe. Aquele que é possível ser vivido, consciente, real, uno – assim como toda gente deve ser – e que enxerga os deslizes inerentes ao ser humano, mas convive-se, pela sua veracidade. Ele existe, mas não a seu modo. Então não planeje para si um conto de fadas, uma estória morna, uma disciplina sem aprendizado. Sonhe paralelamente à realidade e encontre enfim os matizes que se infiltram por toda parte do teu ser ao recordar de um início com outras cores diferentes do agora.O amor, assim como tudo que tem vida e se transforma, tem o tom que você quiser, a energia que você tiver, o gosto que você preferir, a serenidade que você conquistar, a beleza que você buscar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Seja eu

Seja eu o que procuras,
teu tesouro há muito escondido.
Seja eu a flor do teu desejo,
o sentido do teu prazer...
Seja eu o fim da tua dor
e o início do teu paraíso.



12/10/06

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Chave do teu mundo

Quero abrir o teu mundo com a chave que você puder me dar.
Não quero violar nem me intrometer.
Não quero utilizar nenhum artifício porque não me pertence nenhum deles, porque você faz de mim inocente e sonhadora no espelho em que lhe vejo e me reflete.



2006

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Enxergar, quem sabe dentro

Quem sabe enxergando bem fundo, eu vejo olhos que significam tanto que nem duvido!
Quem sabe significar e querer me sentir mais presente, de repente me fará saber que dos traços riscados em minha personalidade, me sinto pessoa que quer sentir, quem sabe aquilo que a outra sente enxergando outra vez no olhar nos olhos porque aproxima, une e satisfaz.



2006

sábado, 12 de setembro de 2009

Apenas uma frase

O sagrado e o profano não se misturam. Seguem heterogeneamente feito a água e o óleo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Liberdade de sentir

À liberdade me escravizo... impossível!
Liberdade que transporto dentro de mim, que nomeou-se rainha de mim.
Não reclamo.
O que reclamo em mim é saber caminhos que me levem à boca da verdade.
E o que reclamo de ti é o beijo que não pretendes, reclamo o sopro por entre os dentes quando a paixão pela carícia envolve tudo.
Insisto em incendiar-me de gestos e de amor sem medida, com novidades sutis e beleza.
As palavras ditas com paixão e liberdade, à qual me escravizo, não são vazias nem são apenas letras, pois significam expressão de liberdade para sentir.
É essa liberdade que me cultiva como sua flor preferida e me faz florescer num abraço que ninguém ousou medir.



10/2006

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Palavras

A sensibilidade que clama, aos poucos conhece mais sobre a alma.
No desconhecimento das minhas vivências e flores interiores, não conheceste ainda minha vida, mas usaste palavras que também são apropriadas para muito sentimento.
Elas nos servem quando a voz precisa delas, quando o silêncio daqui de dentro descreve-as com a pena da expressão que não emudece nunca.
Deste modo, decifraste-me o instante, sem saber.


2006

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Quem sou

Eu sou a sorte ou a indiferença de quem me conhece, assim brasileira, nascida num crepúsculo sem eco e não sólido; alguém que aprecia o perfeito presente sem passado.
Eu sou se puder sentir você, com chance de amar e destruir barreiras de abraçar, de olhar nos olhos.
Eu sou também a pessoa que não aprecia o formato nem o gosto do jiló, do maxixe, da batata-doce, o cajuzinho...



2005

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Necessidades

Preciso tentar explicar um sorriso não retribuído, inexplicável para uns, outros não.
Não consigo!
Preciso de tempo.
Preciso agora não esconder meus olhos, nem quando não me encontro dentro de outros olhos, mas mesmo assim poder sentir o afeto, seja intenso, seja sereno.
Preciso da verdade porque ela é livre e pura, como qualquer desejável que se ama, cheio de razões oriundas do nada e que me levam a dar passos ora no escuro, ora no claro.
Preciso entender que preciso, sem dor.
Preciso ausência de medo.
Preciso admitir sonhar demais quase me convencendo de que não preciso sonhar que está tudo certo, que o mundo em que vivo é correto como aquele que sempre sonhei, assim, sem remorsos, sem tantos desejos, sem desesperos, sem vazios e nem o pesadelo de não ter tido direito de grandes festejos e nem ter aceitado a grande fenda que me separa do realizável.


04/2006

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Queria

Queria passar por vários lugares e em nenhum deles deixar meu coração.
Traria comigo apenas lembranças de onde passei.
Na memória nenhum pesar.
Queria conhecer várias pessoas e não me afeiçoar tanto a nenhuma delas.
Não teria que deixá-las com lágrimas e apenas fariam parte de um caminho de vida, bifurcado pelo destino.
Queria ser mais prática!
Viver sem muito floreio, porque nem sempre o floreio e minhas flores têm para os outros o mesmo perfume que têm para mim.



2004

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Juntos

É melhor não confundir as coisas ou não gritar sem volta.
O dia após outro dia nos dirá a hora.
Venha sem pressa, como se quisesse viver tudo com detalhes.
Abandone-se em mim agora, como nunca, e esqueça tudo.
Confie o seu futuro a mim para que seja inteiro o seu presente e para que o seu passado seja também a minha história.
Porque o nosso amor não é feito de suas nem minhas razões, suas ou minhas idéias, nem a minha nem a sua maneira.
Ele é tudo o que nós somos, tudo o que pudermos ser, juntos.



04/2006

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Uma frase

Os fantasmas da maldade praticada perseguem ao infrator da lei sublime e de caráter inviolável, que é não ultrapassar os limites do erro humano.


2003

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Melhor que antes

Sou melhor que antes quando amo mais que ontem, com a presença de todos os sentidos ou sem nenhum deles.
Sou melhor que antes quando nasce em mim vívido sentimento, como paixão que não suporta a medida, ou intensidade que acolhe, abriga.
Depois sou melhor se tudo isso pulsa, agasalha e envolve ininterruptamente, mesmo que surja um desejo intermitente de qualquer agora, que, por ser desejo somente, percorrerá por toda parte.
E suspirarás então pelo que é ser melhor.
Ser melhor que antes, com algo logo alí dentro, que nunca deixará de escrever a palavra livre, elucidando que, o que reforçar todo válido sentimento, o fará ser mais e melhor do que antes.



02/2006

domingo, 30 de agosto de 2009

Sede

Que tenhas sede...
mas sede do saber
e querer conhecer
o que é bem-vindo à tua alma.
É a nossa sorte:
viver e poder sonhar.


2002

sábado, 29 de agosto de 2009

Pessoas e PESSOAS

Na vida existem pessoas que falam, mas não escutamos, outras que falam e respeitamos;
Há pessoas que nos ferem e deixam cicatrizes, outras que são capazes de nos ajudar a superá-las;
Há pessoas que nos abandonam e pessoas que se fazem nossa companhia sem nem saberem disso;
Existem pessoas que aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre. É por isso que existem pessoas e “PESSOAS”. O que difere umas das outras é o que dentro delas existe, que é um não sei o que de encanto que não se sabe o quanto!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Divergência

Que importa o que eu acho
se o que eu acho
não se encaixa
naquilo que você acha?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Invisível dor

Que temos a recordar da vida na madrugada insone?
A festa do tempo de poesia a dois, extinta no passado; a anestesia de pedir a todas as coisas para não te despertar de um bom sonho; os anseios e desejos de tanto querer bem.
Temos que perguntar no silêncio o que fizeram do amor, que fora aviltado em suas letras quando proclamado ao vento sem medo de ser engano.
Juntaram palavras vazias para fazer pouco do significado de amar até às entranhas e por maldade diluíram no fel o doce desse sentido que o real sentimento não deixará se perder, mas antes o transformará em pura beleza.


10/09/00

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Saudade

Sobre a saudade que temos de nós mesmos...
É aquela saudade de como eu era feliz, de como eu era inocente, de quando eu era mais jovem, de quando eu era...
de como eu fui, ou nunca fui...
não serei mais.


11/05

terça-feira, 25 de agosto de 2009

À minha moda

Não quero regredir a um elemento bruto ao pensar no que não possuo.
Quero perceber o que fiz da minha vida e esquecer de um dia intruso que na verdade caiu em desuso.
Quero poder ser a mão que abençoa a oportunidade de não errar pelo Deus que rega minha existência.
E vou pertencer a uma nova época que me aceita, e que me conheça sem indignação por meus traços morais, normais, de mostrar à vida como sinto o mundo, como vejo as pessoas e como aceito ou não aceito teu modo de olhar para mim.


21/02/97

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Distinção

As diferenças é que completam.
Eu gosto disso, você de outro isso ou aquilo outro.
Os seres ajustam-se à diferença dos opostos atraídos, sem que percebam isso. E os iguais entram em conflito.

domingo, 23 de agosto de 2009

Agora ou futuramente

Viver como se fosse morrer amanhã.
Viver como se fosse eterno.
Alternativa do intenso, vívido, do que explode em energia, em sinais da representação do aqui e agora da paixão, da atitude, poder de querer, de ter.
Alternativa do protótipo de eterno, o metódico, sonhador.
Entes que planejam futuro remoto a esperar bater em sua porta a festa da vida, quem sabe mais tarde.
Hoje é tempo de acordar, de viver.
Hoje é tempo de presente para desembrulhar como criança que anseia pela novidade com brilho ímpar nos olhos.
Os contados amanhãs têm o nome de futuro significando o que nem sempre ou nunca se pode prever, nos reservando surpresas que aspiramos ou não, e vamos contando nos dedos esse mistério na ilusão de sermos imortais, ou mortais antes do tempo.


2003

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Teus olhos

Quando não posso olhar teu rosto, te olho nas lembranças.
Teus olhos expressivos, teu olhar em mim tão vivo!
Eu sei que me sustentam e que teu doce amor sobre mim se levanta.
Tua formosura e teus deleites, duplicados teus olhos, a luz da tua mente-corpo que acabam de voar em direção à minha memória, a tua boca, doce como uma fruta, teus cabelos feitos da luz da lua prateada, pequenas cores fortes, acumuladas.
Amo os teus olhos e tudo mais porque olharam por sobre a terra, e sobre o vento e sobre a água e tudo mais.
Por que amar somente os olhos inteiros se tenho tudo mais?


1993

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Erros

Tudo era bonito, tudo em nós fazia algum sentido.
Quando o sentido deixava de ter viço, você se perdia e eu nos encontrava.
Na verdade eu nos preparava...
Via em ti os teus defeitos e os aceitava separando-os de ti em sonho, mas não os citava.No fim de tudo que houve e no agora do que fizeste de mim, agora sou capaz de citar seus erros ainda sem coragem de encarar os meus.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Anexo

Viver toma o nosso corpo e vida toma os nossos sentidos.
Ao pulsar o coração, uma corrente avisa: corre na veia uma centelha de sina.
Eis o máximo de viver!
Querer continuar vivendo e ver simplesmente o mutável e simultaneamente invariável.
Tem o aroma do poder transformar ou jamais mudar de lugar, de posição, de jeito, de sentido.
Assim é o corporificar intangível coisa, o complexo do perplexo e admirar inevitavelmente o nexo anexo a todas as manhãs do universo.


1996

sábado, 15 de agosto de 2009

Rascunho do amor

São rascunhos de amor quando confundem.
Amor é o prazer ao que sufoca? É o gosto pelo silêncio ou pela dúvida?
Estranhos amores que se foram e que deixaram enfraquecidas trilhas de dor.
Lembrança do que era ilusão, atração pelo imperfeito, pelo iracundo.
É aquilo que você não sabe se é bom ou ruim.
Ah!...
É isso que é estranho: alegria mesclada à tristeza...
Amor, estranho amor.


2002

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

E só

É como folha verde
banhada de orvalho
que me dá sede.
O brilho molhado
é seco e úmido
que vem dos trópicos
do olhar nos teus olhos,
e só.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Temor de amar

Não foi por mim que o céu chorou ontem a tarde inteira.
Na chuva de um outono, não vi o meu amor chegar, o meu amor passar, amor ficar.
Vi o meu amor partir, o meu amor sorrir, amor insistir.
A que horas chegará a noite inteira em que juntos sorriremos, que juntos nos amaremos, juntos ficaremos?
Não foi por mim que o céu chorou ontem o dia inteiro sem remorso.
Chorou pelos amores que se desinteressam, pelas dores sem remédio, pela idéia de fim que paira no ar de cada expressão dos rostos que temem a hora de serem inteiramente felizes.

1997

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Alguém intensamente amado

Tanto olhar lhe vigia se cativas!
Se cativas aos montes, são dezenas de olhares que nem sabes.
Não sabes que um olhar lhe vigia, não com intuito de quebrar tua privacidade, mas com intuito de proteger uma verdade: alguém se deixa ser intensamente amado.


11/07/96

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fantoche

Eu preciso de certezas para viver. Tenho certeza disso!
Também tenho certeza do que vejo.
Querem que eu seja tudo que não seja eu. Querem pintar a minha face articulando fazer outra. Não aceitam a original.
Querem me vestir de modismos, querem pensar por mim e sufocar minha personalidade, meu ponto de vista; querem escolher minhas companhias, impor suas considerações sobre a vida e incuti-las em mim; querem mudar meu conceito sobre o que é a felicidade...
a felicidade é algo individual!
Me querem um fantoche e não gente!
Não um ser pensante, consciente, saudável, positivo, vivo.


10/05

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Outras maneiras

Esta é a nova maneira de dizer: sentir.
É assim que acontece com quem tem apetite aberto para o alimento que são os gestos. E ao sentir ser assim, concluir que possui alma.
A nova maneira te pede: - empresta agora o seu talento para que os outros enxerguem além.
A nova maneira é: pelos sentidos saborear palavras intensas ou doces, loucas ou lúcidas.
É admirar a existência de significados como estes: de ser mistério, sentimento, poesia e liberdade e se observar encantada ao ler em certos olhares o caminho aberto para alguma novidade.


04/2006

sábado, 8 de agosto de 2009

Se fosse um afago no coração...

Não queira ver o fundo do abismo que cavas num amigo.
Ele abriga corpos e flores, sons e dores e o teu pensamento desde o princípio.
Todos os dias anteriores viu-se as terras exteriores e a diretriz remendada do que havia se perdido.
Não o queira ver chorando ou sorrindo, sonhando ou dormindo.Não seria dado a você o direito de ver e nem a pretensão de pensar que tudo o mais ou menos é por você.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

É assim por que?

Divagando em algum momento, viajando pelo tempo, me pergunto de repente: por quê?
Eu desejo viver, encontrar a explicação, que deve existir em algum lugar, do sentido que dou em procurar algo distante, tão distante, docemente distante, lindamente distante, carismaticamente distante! Tão inocente!
Inocente porque não sabe que procuro, e me encontro tecendo argumentos para tentar explicar, depois me perguntando até a exaustão: por quê?
Sempre perguntando as mesmas coisas além do enfadonho por quê.
E já vem o mar sobre mim!
Por que interessa-nos vidas e como são conduzidas?
Por que querer bem do nada?
Não me fizeram nada! Nem mal nem bem...
Mas me fizeram bem!
Alguém me fez sorrir esquecendo por um instante dos dissabores da vida.
Mas e se tivesse me feito mal?
Há quem se apegue, se iluda e faça desse alguém que faz mal, um ser insubstituível. São “amarras neutrais”, que anulam e neutralizam perante a indefinição da consciência de nós mesmos e do nosso valor enquanto envoltório humano de sensações e sentimentos.
Mas por que me agrada tanto ver um viso em movimento ou incansavelmente eternizado em flashs transformados em imagem corpórea, imóvel no tempo, ocupando-me o sentido da visão?
Por que me agrada tanto ouvir o que se tem a dizer no formato de rica melodia gutural ou no formato traçado, desenhado, esculpido ou moldado sobre tal vida?
Que estranho elo – embora imaginário – criado pela mente!
Por que existe?



10/2005

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sem saber

Existe alívio no mundo?Existe a dor dos absurdos do mundo.
Alguém se esconde e não trai suas mensagens eternas de aprendiz, de reta direção.
É desse alívio que se parte e dessa dor que a gente se abre e não mais se esconde porque somos sempre tudo o que não sonhamos porque sonhamos os sonhos de outras pessoas, e vivemos a querer ser o que éramos porque éramos e não sabíamos.

domingo, 2 de agosto de 2009

Vontades

Hoje é um dia de sentir vontades, de ter impressões de que existe um refúgio nos braços de quem amo.
A vontade é pegar de surpresa a vida que muda de estrutura, a depender das influências daquilo que usa ou não a força.
Agora é só vontade de escolher laços que prendam sem maltratar, sem ferir o coração.
Hoje é dia de não achar que sei tudo, para poder começar a aprender. Dia de deixar de lado ultrapassadas questões e conhecer jovens esboços de quem tem sede de saber.
A vontade é de corrigir falhas de conduta, respeitar o sonho alheio, seus donos...
Agora uma vontade de ser diferente.
Preferir o silêncio ao burburinho no festejo do efêmero, pois o silêncio é sempre o mesmo.
Enfim, conhecer a classe, o requinte de um mundo solitariamente satisfeito com a visão do todo.
Hoje é dia de escolher viver assim, feliz e livre de modismos, pela vontade intrínseca.
A vontade é de investigar razões para tudo, ou excessos de toda sorte; razões do que encarcera, de quem se encerra, de quem assume.
A hora é da vontade da novidade sobre o que dizem a meu respeito...
se me trará o encanto de um sorriso ou uma lágrima no coração.
Hoje é dia do calor da decisão, sem medo das ordens do destino que se aliam ao seu desejo, tímido e verdadeiro.



02/2006

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Quero ter

Eu tive a oportunidade...
encontrei o que procurava.
Eu tive o seu jeito...
nada me incomodava.
Eu tive o seu peito...
a nada se comparava.
Eu tive o seu ombro...
era tudo o que eu esperava.
Eu tive a sua lembrança...
me contagiava.
Eu tive o seu afeto...
agarrei para ver se durava.
Eu tive o seu corpo...
era o que eu mais desejava.
Agora eu quero ter o seu amor.


1996

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Separação

Invadiu-me e dividiu-me e o sonho não morreu perante a dúvida.
Abraçou-me e se foi sem dizer palavra que me convencesse de que no amor um dia tudo se esvai.
Como custa crer que há separação e entre separação, indiferença!
Custa estar longe desse lugar que tão lúcido me acolheu no bem-estar do coração.

1995

terça-feira, 28 de julho de 2009

Ao contemplar o pôr-do-sol

Não diga que uma flor não desabrochou dentro de você, que experimentou a cor do pôr-do-sol!
Alguém o observou contigo.
Uma chama no peito se acendeu naquela hora e o coração perguntou-lhe sobre sentimentos capazes de colorir mundos interiores e exteriores, capazes de fragmentar a solidão condensada, oprimir um grito que não encontra eco porque seu grito não tem razão de ser agora, e o seu eco perde então a força porque...
olhe ao seu redor!
Quanta gente por perto! Quanta voz falando baixinho!
Por outro lado, tens direito aos teus segredos, ao azul de conservá-los, ao calor da sua importância, ao perfume da sua intensidade, à serenidade do seu silêncio.
Contemplar o pôr-do-sol é recordar tanta coisa!
É querer tanta coisa indefinida e que não sabemos por que!
É experimentar o arco-íris entre o dia e a noite, é entender que existem incontáveis planetas como o seu e que reclamam às vezes por um minuto ao menos de solidão.



08/07/2005

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Rima

Não procuro mais igualar nem rimar; procuro sim, o mar.
E se vierem ondas como palavras, irei combiná-las e torná-las com algum sentido.
Vamos perceber as diferenças nas faces, nas rimas.
Vamos perceber também as nossas semelhanças não nos igualando, não nos comparando, mas nos sentindo.
Vamos perceber que rimas às vezes não se combinam, não se encontram e que lágrimas e sentimentos é que procuram os sentidos e se combinam, e se encontram e dão forma às faces, dão semelhança às faces da rima.

sábado, 25 de julho de 2009

Quadros

Os quadros que pintei não disfarçam sua formosura...
porque alma foi dada à arte.
Em seu formato não existe traço.
Existe suspiro, existe o riso.
Os quadros não dissimulam porque de fato, são belos.
São retratos da vida,
de passagens por ela
e extensões da cândida vontade de viver.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O que dentro de nós existe

Somos um ser além do espaço que nos rodeia vazio.
Administradores de um querer que foge dele mesmo.
Somos divididos e nos integramos com a entrega.
Participamos de tudo ou quase tudo na esfera evolutiva que é o mundo e às vezes somos mudos criados do mundo.
Aceitamos os espetáculos da natureza, humana natureza de quem amamos.
Mas existe alguém insatisfeito, alguém que também não é perfeito; alguém que não sabe ter, não sabe possuir nem administrar, enfim.
Alguém que paga por pagar preços e promissórias.
Alguém não entende, mas se deixa entender.
E quem se preocupa?
Antes nada existia além do nada e da vontade de festejar com risos um espaço vazio que se preenche. Agora, invadidos por alguma ilusão de estarmos felizes e completos neste mundo, ninguém percebe ao certo se está preenchendo a si mesmo – espectador solitário – ou apenas o espaço vazio, infinito à sua volta – devoradores insaciáveis das migalhas alheias.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Talvez

Vou talvez
parar os mundos retrógrados,
sonhar com mundos de pássaros,
chorar com olhos e lágrimas,
sorrir e dormir em teu colo.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Desejos de amigo

De todas as coisas que em algo se tornam lhe desejo o desejo que se torna real porque tua alma, eu quero sentir feliz.
E ser tua amiga como os amigos que se tornam um tesouro, um tipo de amor verdadeiro e tão simples!
Satisfazer teu paladar pela vida de forma doce, calma e íntima o qual lhe visita e lhe anseia e nunca mais lhe deixa.
Quero lembrar-te que o que sentes quando os raios suaves de sol lhe tocam a pele é o que sentirias num abraço forte que o meu pensamento ao rodear-te poderia lhe fazer sentir.
Quero ver vibrar em ti a força de tua fé, o brilho em teu olhar.
Que compartilhes teus sentimentos, mas com quem te possa compreender, sentir seus intentos e sondar pacientemente e educadamente o desejo que tens o cuidado de verbalmente não revelar.
Que ouças o que pede o teu coração num momento de tristeza, e que daí possa ver a beleza que existe dentro e fora de ti.
Não deixe o teu cantar, o teu sorriso, e que haja tempo para almejar o infinito.
Meu desejo é a expressão que envolve o natural, a maneira de lhe dizer sem pressa a importância que tua vida se fez para mim.
No desejo mora a vida, a intensidade, a voz que grita, mas com suavidade em tua memória inconsciente, que eu aqui vivo e transmito, aonde quer que estejas e o que quer que faças que não existirá o dia em que não lhe queira bem, que não olhe com cuidado esse teu semblante banhado de cor, vitalidade e verdade.


2002

terça-feira, 21 de julho de 2009

Felicidade

Esta é a felicidade
que se traduz
por ser razão
e emoção.
Felicidade é
a beleza que se busca
no semblante
perfeito
da vida.



09/1997

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Olhar para a vida

Não quero mais.
Então, quando nada quero num estado de depressão, quero a distância das separações porque são francas, ausentes nas delicias.
Querendo mais, alguma coisa me digo que seja uma satisfação, uma fuga para o desejo e todo o lirismo de um poeta.
Querendo reagir e fugir de abismos, quero mais o resgate dos sonhos e das coisas que deixam para trás sem as remediar para acordar a humanidade mostrando seus frutos que foram doentes e hoje voltaram recuperados por uma nova chance, por um novo conceito de vida.
E por vida eu quero, espero e preciso, nem que seja de um sorriso para iluminar a minha vida.


1996

domingo, 19 de julho de 2009

O fim no passado

Serei para mim,
e para você
não serei mais nada.
Talvez surpresa dedicada,
poesia triste
escrita no passado.
E serei uma partícula
do que simplesmente era nada
para ser nunca mais.



1997

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sobre as vinhas

Vinha eu, apagar da memória um soluço; vinha eu, conhecer este absurdo,
este grito exposto, este gesto rouco de garganta que se encanta com a voz, o paladar.
Vinha eu, sobre as vinhas, desenhar a saudade da viúva, dirigir pelas suas curvas sinuosas insinuar que vinha eu apagar o meu fogo, justificar o meu logro, apagar tuas dúvidas.
Vinha eu, sem memória, chorar no teu ombro; vinha eu, absurdamente, conhecer teu exposto problema, seu gesto que me prenda.
Vinha eu, matinalmente, acordar seu grito de juventude, de crença, de atitude.
Vinha eu, colocar desordem na ordem de dizer que todos chorem, porque existe um sentimento.
Vinha eu, pelas ruas desertas e turvas, recolher as minhas uvas, minhas doces frutas, minhas frases futuras e crer que eu vinha a cada dia plantar minha vida em minha esperança de ser a vinha-videira análoga à tua vida.



1995

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Através dos olhos, uma alma que espera

Olhe nos olhos...
Verás que dentro de cada ser humano existe uma alma.
Foi ao contemplar toda a natureza das coisas e pessoas que pude sentir que eu era alguém querendo fazer sentido.
Percebi que tinha um lado oculto de luz que implorava pela possibilidade de sua manifestação. E oculto já não é mais.
Pensei num modo de pensar que me fizesse pensar direito, inteiro.
Pensar até o fim...
E no infinito de quem pensa existe o pensar até que se esgote o impensável infinitamente.



25.02.02

terça-feira, 14 de julho de 2009

Seqüência de sensações

Sensações em seqüência ritmada florescerá, permanecerá, te ajudará a combinar sabores, sonhos e suores.
São mistérios, futuros e encantos, são vidas envolvidas, perdidas e encontradas não sei por quem.
Nem tudo são flores de todas as cores, mas para consolo nosso, nem tudo são dores; são resumos, palavras que traduzem, falam, que possuem boca.
Me resume!
Interprete o latente, provoque impacto verossímil, me deixe ver a verdade que existe e cospe na mentira, na ira, na ferida.
Não sou, não estou magoada...
no calor dos bons sentimentos, estou perdoada e lhe dou uma flor.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Por esta vida

Por esta vida estou passando.
E qual a certeza que se desejará?
Por esta vida o amor passa e às vezes não o vejo como antes...
é tudo incolor, é como uma noite indolor.
Onde estou agora?
Estou pela vida a fora e dentro dela, na terra, buscando ter asas para ser ar, fôlego para ser água, mais vida para ser fogo e não apagar minha própria chama.



1996

sábado, 11 de julho de 2009

Onde estão as vozes

Onde estão as vozes, o rio desce; cresce a utopia quando a boca se cala, quando os olhos se fecham e respondem a todas as minhas dúvidas.
Ontem o amor me disse sobre as vozes e seu pouco valor quando o sonho se expressa. Ontem os sons se fizeram mudos quando te despertava suavemente com beijos.
Onde estão as boas falas das vozes, o amor acontece, o rio desce, a quimera cresce e transforma-se em verdade...
as bocas se tocam, os olhos se fecham respondendo sem mistério aos dons do amar para ser par formado com outro ser tão físico e material, tão espiritual quanto mortal numa noite em que transpira um outro desejo, tendendo tal desejo a ser rouxinol que encarcera pelo som e por prazer...
e envolvidos podemos andar por sobre nuvens, podemos ter posse até sobre o mundo que nem sempre desejamos.



16/04/1996

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Inconstante

Fui ser sonho, acabei por ser metade.
Fui além das tempestades da vida de cada um e descobri um por um, um dia assim, outro igual a mim.
Gentes são iguais, são tantos canais ligados um em tantos e tantos em um, e sou tamanhos curtos e longos, sou asas e pombos, loucos pela liberdade.
Assim como todos, eu nunca sempre fui somente a mesma coisa.
Por isso eu quero criar junto contigo, solucionar como os amigos, me apaixonar como os antigos e não ter essa inconstância que a vida, mesmo sendo mudança, nos oferece.



1995

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Das minhas verdades

Olhas para mim por entre as frestas da casa porque parva não sou.
Olhas levemente ou languidamente se te escondes da minha face.
Seja firme ou um ser humano que humanamente escolhe a hora de ser o que é.
Sou simples, não simplória.
E vem me ver, que não escondo modos de viver.
Sou tal como se vê e mais um pouco por dentro.
Se for entregue a ti a chave das minhas verdades, verás de tão perto meus remendos, meus inventos e intentos.
Saberás da força de um pensamento, da ternura de olhar por dentro, de todo meu sentimento.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Que é que há...

O que há de me assustar como o mistério de aqui estar?
Seria a morte que nos finda o corpo e o prazer por estar viva?
Seria o universo magnífico com suas cores e sacrifícios?
O que há de me entorpecer como um entorpecente ativo que em mim não abrigo?
Seria a prisão que me envenena e que me encarcera numa paixão
indissolúvel e pequena?
Seria um sono frágil que acorda o plágio quando olhamos escritas vidas alheias?
O que há de me ferir e de súbito me inibir?
Seria ter amor ao incógnito que ignoto se fez por ter um coração inóspito?
Seria ter a vida, mas abdicar da alegria de poder com alguém conviver?
Não só há de me ferir e inibir, mas também me assustar e entorpecer
viver sem o prazer de compartilhar o entusiasmo das fases frutíferas e ternas que a vida sempre nos reserva.

04/04/1996

terça-feira, 7 de julho de 2009

Aos mitos

Não és mito como as sugestões dos encantados inveterados porque não te quero assim, nem ser proprietária de um engano.
Quero além da fugaz beleza de ser vivo, a consolação no peito, porque não és mito, mas gente.
Quero compartilhar astros e artes com seu jeito de sol e personalidade estrela com ampla defesa pelos defeitos, atitudes.
Mas se não for assim seu jeito, não mais serás ser humano...
apenas metades e um não.
Um não ser real e ser mito sem jaça.
Por isso vejo a realidade por dentro e vida a fora sem esquecer que existe a ternura.


1995

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Duas sombras repentinas

É mais do que se pode supor!
Eu trago na algibeira a verdade; arrebato de mim a ficção.
Sou como sou, com ou sem ter liberdade para voar.
Acreditaria como ave naquilo que me conservasse em pé, naquilo que me trouxesse as asas.
E sou tanta coisa junta, sou tantas nuvens separadas, sou sugestões não querendo mais.
Sou aparições em vários canais onde te adormeço e te desperto caladamente, candidamente, como duas sombras repentinas que se tocam.



1996

domingo, 5 de julho de 2009

Necessitar de ti

Te preciso num imprevisto ou no previsto e assim, eu te preciso.
Me sinto, e ao me sentir, me permito necessitar de ti.
Me acolhe onde estiveres, pois sei que sentirei teus braços seguros.
Te aqueço no pensamento porque é a lei do necessitar de ti.
Necessitar é a arte de proteger sem sentir, ser mater de cada mundo se tantos mundos existem.
Preciso saber que necessito sobriamente e não preciso saber que protejo conscientemente.
Pessoas se unem pelo necessitar, pelas trocas de verdades e vivências e se desunem pelo desnecessitar, pelas trocas de mentiras e enganos.



1996

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Tanto ou nem tanto

Tenho um significado para cada pessoa que conheço...
Para umas eu sou...
Para outras, sou também.
É assim que somos, com ou sem tanta importância.
Mas é exatamente assim que seremos: tanto para tantos ou nem tantos, e quando nada, mesmo que nada, ainda assim seremos.

2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

Culpa

Culpado se sente quem deve a uma vida.
Ser feliz sem culpa é ser feliz sem ter que perdoar ou pedir perdão.
Feliz total é o sem culpa, o sem remorso.
Se sente feliz o que não deve, o que nada teme.
Quem não tem culpa mora num pedaço do paraíso.


1995

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Da natureza, a eternidade

Duas pessoas formam uma só semente, uma só lua, uma gota de mar.
Fazem somente uma sombra a andar e reunir, duas em uma numa descida em direção à cama.
De muitas verdades escolheram o dia.
Se envolveram com lençóis... não desnudaram a paz, mas as palavras, a aventura que é uma corrente transparente.
O mar, o ar, o luar e os dois.
A noite ou o dia lhes oferta suas maravilhas em festa.
Têm direito a todas as honras e sabores, prazeres e suores.
Amados, infinitos, finitos.
Nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem...
têm da natureza, a eternidade.

sábado, 27 de junho de 2009

Sob o luar

Um luar a mais satisfaria os românticos.
Apenas um dentre tantas estrelas, ofuscando as incertezas de que existe sob o luar a simplicidade de amar.



05/04/96

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Teu solo

Primeiro ser o existir no mundo e buscar o teu amor, outro ser que alimenta a paixão sobre o sublime, sem ser pó, mas ser solo fértil e fazer brotar de mim botões de amor.
Existir e ser sobre a terra livre, o solo que pisas encantado, que lhe diz te amo, te quero e que está perto.
Ser o que é ser, que de tudo ou quase nada quer ser por ser alguma coisa que te faça lembrar de mim.
E depois ser o existir em sua vida.



1995

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Difícil convivência

Que difícil, a nossa!
Onde estás eu não estou.
Onde estou, prefiro que não estejas.
Não toques! Não me sinto.
Porque não sou nem faço parte do que tu és.
Tu que plantas, sempre colhes, mas não almejes colher aquilo que não plantaste. Porque as terras foram por ti aviltadas e o teu direito sobre elas dissipou-se.
Que difícil a nossa!
E nem sabes desde quando, ou finges que não vês e que nada sabes.
Não me instigues!
Não vês que não falo porque calo aqui dentro?
Não reclames pela minha voz se abafaste há tempos meu grito.
E te emudeces perante o que pronuncio a contra gosto e espontaneamente, resultado de uma semente.
Agora colhes hoje, em silêncio e não te rebeles contra a verdade, para que assim te ache digno de que te olhe nos olhos, se te permitires levantar a tua face.



03/2006

terça-feira, 23 de junho de 2009

Tentação à arte

São duas naturezas que existem dentro de nós, dentro das coisas vivas.
Por que não sentir?
Por que não ser coisa sagrada, ardente no peito?
Sentir por ser homem vivente, mente e semente, não só corpo que flutua indecente.
Parte do todo resto, o concreto do teto e a arte como natureza, delineia seu rosto junto ao meu e somos únicos na presença etérea de um astro...
somos a consciência da fantasia e o sonho esmerado.
É vivida dentro de nós a vida que é nossa, o tempo presente, o futuro que se insinua rutilante.
Penso na hora de ser quem conhece a hora, o quando esperado e o espaço nosso secreto de dizer palavras como sinto tudo...
é o meu labirinto, por ti tão conhecido.



1995

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eu apenas

Sou eu e quero a vida sem nada modificar; sou eu e quero do mundo uma transformação, das mentes uma conscientização.
Eu que mudo por amor, e por amar vi tantas coisas mais além de mim.
Não fechei os olhos para tudo a não ser ao te beijar.
Sou eu com um universo a planejar no peito.
Sou eu apenas com você por dentro.



1997

domingo, 21 de junho de 2009

Tudo pode ser

Não sabemos quem somos a fundo.
É possível acreditar que o suficiente é saber quem nos faz bem, pois a imaginação acolhe, porque recolhe certezas para nós.
E se as certezas não forem concretas ou somente frias, daremos espaço ao risco de acreditar no viço daquilo que suspeitamos vir de nós e ser como nós.
A vida às vezes parece um sonho que se despe do seu encanto pela verdade que podemos sustentar, assim como também se torna um sonho que se veste da mentira que desejamos.
Não é pelos nossos sentidos que percebemos nada nem qualquer outra coisa. Usamos nossa essência divina que nos guia e nos ensina a enxergar ao longe aquilo que está em nós, e enxergar bem perto aquele que aqui não está.
Basta de impossibilidades e descrenças!
Porque ver a vida de forma lúdica faz de nós meninos sábios que regalam-se com a doçura pueril de afirmar que tudo pode ser.


01/2006

domingo, 14 de junho de 2009

Silêncio inocente

Por que o teu silêncio em minha mente?
Se te penso preencho-me de ti como a um vaso de água pura e nem ao menos posso fazer-te me perceber porque o teu silêncio é inocente, tua imagem nada sabe, os teus olhos não me vêem.
Resta a sonoridade de um sonho e uma lembrança que se confunde entre o real e a ilusão.
Conheço-te de relance e de peito aberto te recebo porque em ti conheço esse dom de encantar e fazer festa nos olhos de quem te sonha de olhos abertos.
Se me olhasses nos olhos, eu não poderia esconder o tudo que sinto e me descobririas nos meus gestos, porque não duvido: há primavera em teu sorriso e paixão em teu olhar.
De repente o vento suspira me trazendo um perfume de alegria, lembranças de toques que não dei, beijos que desejei, abraços que sonhei, calor da sua voz dizendo que o silêncio enfim inexiste, a ilusão não mais insiste porque dentro dos teus olhos existe agora o meu olhar.


2001

sábado, 13 de junho de 2009

Desperte-me

Desperte!
Mas desperte suave.
Desperte e deixe à flor da pele tão doce sensualidade...
aquela, assim despretensiosamente delicada, atraente, que brinca e chama para um beijo consciente.
Desperte o momento!
Quem sabe também um sentimento!
Entenderás então o que são metades e saberás o que fazer com as suas e as minhas verdades.



04/2006

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Por que

Se me dessem uma vida com pelo menos um porque, bastaria.
São tantos por quês que me cobram, que eu cobro, que insisto em saber!
Por que é assim o tom da sua voz quando enganas porque não tens se quer uma resposta? Por que eu finjo me contentar com tudo e achar que tudo está bom? Por que você que me vê com bons olhos não responde por que me vê com olhos bons? Por que minha vida teima em se desordenar em dúvidas que somente afligem? Por que não consigo responder às perguntas que me faço? Por que não digo mais que eu te amo? Por que ainda choro pelo que não existe mais? Por que a gente não procura as respostas dentro da gente como dizem que lá estão todas elas enfileiradas em ordem alfabética? Por que perguntamos quando já sabemos a resposta? E se ela existe mesmo, por que não vem quando a invocamos?
Por que então eu não calo essa minha boca e te deixo em paz, e nos deixamos em paz caminhando de mãos dadas pela estrada da vida dos simples desarmados que na serenidade de um momento sempre encontram as respostas?


1997

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Nascidos das flores

Somos filhos da terra, viemos pousar na vida quando tínhamos asas.
Nascidos das flores voltaremos a ter o perfume delas.
Sozinho, quem estará mais tarde?
Pois sei que seguraremos nossas mãos e jamais sozinhos seremos ou estaremos.
Mas ainda não nos conhecemos!
Quem nos apresentará? Quem nos colocará face a face para descobrirmos o comum e o incomum das nossas vidas?
Sei que ainda não nos conhecemos, mas conhecemos o tempo e a força do pensamento.
Sabemos que o mundo não é pequeno, mas temos talento para acreditar que cabe em nossas mãos.


1996

terça-feira, 9 de junho de 2009

Diante de um erro

Se eu erro, me ferro porque embruteço no bruto da dureza da matéria
ferro.
E assim eu não me pertenço, e tudo me escapa do controle, que pretensiosamente imagino ter.
Do lapso eu me envergonho e emudeço sobre as lacunas deixadas no caminho.
Eu me perco num desespero meio brando, repentino, e me encontro novamente quando abro espaço para o que há de divino.



22/07/2005

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Razões de amar

As muitas razões de amar é que me fazem viver atentamente. Atenta a um olhar que brilha, a uma mão que acaricia a beleza de estar amando.
É justo o amor quando amando, não nos encontramos armados. É preciso estarmos selados ao digno, ao reto e preciso jeito de se dar, se doar ao ato sublime de entoar a canção dos afetos profundos libertos.
Sou toda da vida quando entendo esse teu viso de amor completo, não competitivo com infinitas razões fundamentais.
Me preencho, me rendo e me consolo no beijo da manhã, do cair da tarde, do meu puro amor.
Sou atenta a essa sorte chamada de bênção e coração. Sou aquela que não corrompe a dor que se sente quando existe a surpresa de um suposto abandono do amor. Pois, sou aquela que transforma uma afeição maior
numa menor quando acendem a luz emprestada da traição. Assim me compreendo melhor porque da vida de amores, dissabores e cores ainda sou aprendiz.


13/02/97

domingo, 7 de junho de 2009

As minhas

Que palavras são minhas na verdade?
Todos usam as mesmas!
São comuns de todos os gêneros!
São usadas em conjunto, são usadas para nada, são usadas solitárias e para fazer calar também.
Sei apenas quais me direcionas como quem delira de carinho e revelas o que sou bem no fundo do que vês: grande, admirável e formosa por dentro e por fora. Mas assim não me sinto eu e sim um sonho teu!


04/2006

sexta-feira, 5 de junho de 2009

É melhor...

É melhor viver assim, andando a passos firmes e sinceros, porque assim sabemos por onde pisamos.
É melhor escutar a música sentindo-a invadir por toda fresta, porque a doçura da canção comprova aquilo que a letra da vida quer dizer.
É melhor refletir no significado do perdão, esse elemento tão raro e poderoso de difícil aceitação em nós e que não se consegue tão logo se é ferido, ou mesmo se há tempos ferido, porque perdoar é perdão genuinamente.
É melhor querer a liberdade para voar alto e bem longe daquilo que dói, porque faz bem olhar as novas paisagens e sentir novas pessoas que possuem coração no peito.
É melhor disseminar o que há de mais bonito dentro de nós, do que aquilo que não nos reporta à forma do bem-estar, porque melhor se vive desejando o que a nós é possível de se ter, como sonhar com dias de sol para não sucumbir quando nos enclausuramos nos delírios de inverno.
É melhor fazer parte da música que nos vira do avesso, no melhor sentido da frase, em arrepios de emotividade, porque pode-se não estar vivendo os melhores dias de uma fase de vida, mas é possível se deixar levar pela canção que canta sobre os afetos escondidos na alma, calando frios sentimentos.
É melhor viver sem tantos medos, porque vencer será o verbo! Porque finalmente o medo encontrará o fim da linha em seu limite farto e normalmente previsível, porque é melhor assim, porque é melhor que ele não seja, porque se almeja que ele não viva e que ninguém o veja.



2006

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Necessidade de vida

Estive em lugares, escutei passarinhos que tive vontade de ser, escutei o vento e o vi acariciar as folhas, os bosques visíveis de um momento. E senti necessidade de vida.
Viver com mais sentido e fazer esse sentido crescer a cada passo dado, a cada beijo nas mãos de quem amo.
E descobri que dia após dia sou tantas, sou quantas?
Sou gargantas em plena força ao expressarem-se na voz.
Sou aquela que recobrou os sentidos e percebeu que sentido em tudo é ter respeito pela imagem sua, pela face alheia, dócil, alegre, vital.
É eu ser eu mesma e você ser você mesmo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Importa

Importa a intensidade, se você sente.
Importa ver do outro lado...
Ver quem sabe a vida somente em seus ângulos.
Importa ler olhares e interpretar o que diz um coração.
Importa não mentir e se expressar se existem dúvidas.
Importa não se entregar ao lado sombrio, por respeito a si mesmo, por amor, e decidir enfim de que lado quer ficar.
Importa não ter maldade nos olhos nem no coração, não imaginar demais ou concluir sem fundamento, e toda gente dirá o que é, o que há.
Importa trilhar caminhos iluminados, abrir as portas da mente, sentir tudo que passa por nós.
Importa espalhar gotas perfumadas da compreensão de nós mesmos e termos a proteção que nos guarde a alma e que nos proteja, sobretudo de nós desvairados.



01/2006

sábado, 30 de maio de 2009

Visitação

Vejo novamente os olhos que dizem mais que os lábios.
As nossas sensações então podem ser descritas por um hábil ser numa única visita.
E te visito no poema...
Vejo um interior furtivo e ainda assim vivo a desenhar a arte de tocar o intangível.
Tenho alma invisível e assim eu sou...
sou ao seu redor o sol e a vontade de estar presente nestas palavras e nos meus atos que dizem mais que as formas e a força dos lábios.


1995

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Recomeçar

Qualquer dia, eu na praia observando como criança que nunca tinha visto o mar.
Eu sozinha na areia brincando de construir castelos para morar.
Ou a areia secava, ou a onda vinha e tudo derrubava.
Nada de choro pelo esforço que foi reduzido a nada!
Nada de correr e fugir, mas sorrir mesmo sem querer e recomeçar.

08/07/2005

quinta-feira, 28 de maio de 2009

No compasso do tempo

Me sinto como todo sonho sem ser dividido, repleto de coragem por existir.
Espero que o tempo simplifique o complicado e perdoe a quem não entende o seu compasso tão lento, tão rápido, como o vento, como o passo.
Vejo a força nos olhos de quem repete que a possui; sinto o poder no infinito da luz que brilha por si.
Que venha por nós a satisfação de ser sem discórdia, de ter uma memória para curar as amnésias de um tempo que foi bonito, que foi preciso para nos fazer grandes, altos de espírito, livres do perigo de passar pela vida olhando para os passos errados deixados por nós mesmos.


07/08/1999

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mundo novo

Existe um mundo tratável, com mais sorte, e num gesto das mãos um aceno.
Queria ter em mente palavras lúcidas em vez de palavras duras e imprudentes.
Falo ao vento e imponho direção aos meus verbos, versos e frases.
Vejo o mundo mais adiantado do que naquele ontem, mas os bons gestos serão sempre os mesmos.



1995

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nesta manhã

Nesta manhã sobre mim o amor se levanta como química que compõe o meu corpo...
é um privilégio.
Amor, genuíno amor, assim como tudo.
Amo meu consorte, cônscio do rumo que seguiremos especialmente seu e meu, contido em nosso universo, real como tuas flores gentilmente doadas a mim, a que lhe pertence.
Como eu amo?
Por sobre o frio que até aquece, por sobre as ondas que me embalam, por sobre as nuvens que me envolvem quando me beijas.
Nesta ou noutra manhã o dia será o mesmo, infindo... será o eclipse dos inteiros sonhos unidos, emaranhados, vivos. Será o nosso encontro quando cair a tarde num som idílico, um momento lírico quando te sinto e permito coisas da vida.
Ao cair, ao insistir, estarei aqui no subconsciente da tarde, no perseverar da arte de estar ao seu redor como ar, como suspiro, sol que sutilmente queima a pele, breve, e aquece todo interior vivente. Será assim e será tudo nessa noite quando cair sobre nós a lua e esse dia...
essa vontade de festejar e anular verbos imperativos.
Sobre nós o amor se levantou!
Mas se um dia me faltares, por onde eu andaria? Assim me feres.
De mim, assim, o que terás? O que será tua sina?
Porque não se diz adeus ao que ama, pois te ronda e te anseia.
Não se despreza portas abertas, não se desordena linhas certas, precisas, que conquistam o amor, mesmo que de um coração inóspito, inutilmente desabitado.
Por ser amor, imune aos desertos de solidão ele vive. Ele cria e transforma; ele mata uma sede e devolve um desejo. Ele, eminente é semente e nos dá um novo sopro de vida.


03/05/96

Um tipo de busca

Eu procuro por um rosto que venha acompanhado de um sorriso e de um forte abraço.
Procuro ter alma jovem, persistente e inocente, daquelas que nunca nos deixa perder a esperança de encontrar. E ao encontrar o que procuro, que meu ser esteja pronto, aceitando as oportunidades de mudança, arrependendo-me do que não fiz bem feito, não temendo a morte, pois o medo da morte é para os que abrigam em si algum remorso.
E mesmo que não acredite piamente no final da frase anterior, que eu continue tentando e me perdoando pelos remorsos, procurando rostos e sorrisos para somar, sem medo da vida ou da morte.



2005

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Gestante

Isso tudo guardo.
Guardo tudo bem guardado.
Sou gestante do passado, a mexer, a crescer;
e no final ponho para fora e fico de resguardo.



1995

domingo, 17 de maio de 2009

Desconhecido infinito

A poeira é rigorosa em teu destino, desconhecido infinito.
Ninguém é totalmente obscuro, ninguém é totalmente inseguro.
E quem sabe ser suave como a linda e imaculada ave que voa serenamente e pousa no eternamente?
Quem sabe ser essa germinação doce, flexível e vigilante que corre, anda, passeia sobre o tempo?
Somente cada passo que tem seu mistério como cada ser humano que busca o refrigério.
Assim é o ser transformado para ser par formado com a cor do lírico sorriso aberto a toda vez que o céu anunciar ou inventar o rastro livre de um momento sedento por ser infinito.


1997

sábado, 16 de maio de 2009

Minhas pessoas

Olho em volta do universo e as pessoas não me dizem que estou buscando olhar além das estrelas.
As pessoas que me deixaram serão um dia felizes; um dia se lembrarão que existiu uma mão estendida.
As pessoas que insistiram ser da mesma trilha que a minha saberão que fui pedacinho de destino apenas e não parte do seu próprio corpo.
As pessoas que amei na vida foram embora sem deixar pistas, pisaram na minha sombra e dedicaram lágrimas solitárias a mim, sem que percebessem!
Queria gostar de saber disso!
Mas não me contento por sobre as asas do vento sem ter uma mão de alguém amado, sob um sol consolado que me confortasse em minha solidão.


23/05/97

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Pessoas estrela

Há pessoas destinadas e preparadas para serem como as estrelas.
Como andam as estrelas?
Não andam, mas brilham!
São recordações de quem sempre teve luz, sem jamais ter conhecido as trevas.


2005

terça-feira, 12 de maio de 2009

Mérito

Tínhamos a certeza, ou era o sonho nas mãos. E o tempo podia parar se quiséssemos. A vida andava sem pressa de acabar, a noite era fresca e o dia nascia para dois apenas. Temos agora a dúvida se tudo aquilo vivenciávamos ou se andávamos sobre trilhos de ilusão.
Que importa?
Vem, realidade caída sobre nós!
Fui clara como o dia, deixei fluir...
vivemos o que merecemos.
Se tudo acabou, deixamos de merecer.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Lei da vida

O corpo nasce, cresce, evolui finitamente, morre.
É a lei da vida.
O amor consome e o corpo sofre, o pensamento fere.
Leis que nos cercam.
Desenvolve-se a mente, a auto-defesa.
A gente percebe, cria e se encontra.
A gente dorme, acorda...
óbvia.
A gente ama, não esquenta, não esquece.
A gente perdoa e pede o perdão.
A gente acredita porque é a lei do acreditar.
Lei faz parte da vida, vida sem lei é desordem e na desordem mão há Deus.



1995

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dê-me

Dê-me um raio solar se és um sol.
Dê-me a luz de um luar se és uma lua ou várias: cheia, vazia ou pela metade.
Dê-me a dualidade de duas coisas duplas, duplicata das ruas por onde passaremos.
Dê-me o perfume fresco das suas flores, a essência do desejo.
Dê-me o seu medo que lhe dou segurança, clareza no profundo formato do mundo e entendo junto contigo as coisas da vida.
Dê-me um incentivo, um motivo.
Dê-me um sorriso, eu preciso.
Dê-me um abrigo de amigo.
Um sonho acordado, há eras idealizado, consumado.
Dê-me uma poesia, dê-me a honra de sua alegria.
Dê-me uma lágrima de alívio, de paz de espírito.
Dê-me a natureza do mundo em que vivemos e certeza de que nele ainda estamos entre abstratos e concretos.
Dê-me por um instante o som do teu mar de amor e seus segredos, também teus justos sentidos e teus desejos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Destino

Âmago, amargo me acendeu.
Tocai com as mãos sem as palavras, pois o sentir não morreu.
Embalai meu sono, sonhai sem o profano e me envolvei com um pedaço de pano.
Vida tão doce me envolveu.
Beijai minha boca sem sentir o tempo, porque o tempo nos esqueceu.
Destino, feroz me desenhou, tua face me mostrou, feriu-me e cicatrizou, mas a felicidade existe...
não acabou.



1995

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Letra por letra

Onde está a letra?
Ela sozinha não cria frase... palavra talvez.
Fui buscar a letra em minutos de vida, em lágrima, em sonho.
Em cada coisa que eu viver terei uma letra a mais para juntar e dizer e formar e...
poder mostrar o que é sentir, o que é guardar, e o que é olhar tão fundo a ponto de ver o profundo. E mostrar em que ponto as almas se unem e esquecer em que ponto elas se afastam.
A letra está, ela é e nos olhos se escondem e até brilham para dizer o que puderam juntar, que palavras criaram e dizer até onde se pode chegar com frases formadas inevitavelmente.
Alguém é capaz de juntar as letras do que viveu e as resumir numa palavra simples e definitiva, chamada fim. Outro alguém já não vê melhor alternativa que juntar as letras do que viveu, e sem saber resumi-las numa palavra e sim numa frase, dizer sobre o próprio erro de ter tido medo de perder...
Quando não existe o medo de enfrentar tudo, acreditamos que podemos tudo.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Elos

Um desejo liga o fim a um começo.
Uma promessa liga a fé a uma bênção.
Uma luz liga o amor ao poder.
Ligações incolores transmitem um colorido de responsabilidade.
Ligações fazem transpirar dos corpos amor, juventude, complemento.
Ligações que dizem que da ação da essência emana o aroma da obediência
ao melhor lado de nós.
Ligando desejo e serenidade nasce necessidade de ver brotar, fazer notar que o tudo é demais para nós e que o nada daí então se converte em alguma coisa.
Do nascimento à consolidação das ligações eu vejo o possível, o sentido visível por desejar a eternidade.



1995

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Pontos incertos

Quando se calam as vozes de dentro, falam os olhos perante um desejo tácito em nós, falando aos olhos apenas.
Três pontos incertos também podem ser três vidas representadas num eu, tu, ele...
O futuro.
Ele, o futuro, calou-se deixando a expectativa do que será, e tudo passa durante o dia, falando outros olhos aos teus num sonho, o silêncio de um toque de saudade.


1995

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Busca

Tudo existe com um significado e a explicação para isso não existe.
Se tudo existe a obra-prima se faz e um sonho se realiza, como uma semente de amor que germina, genuína.
Tanta coisa existe e entre as tantas, os encontros e desencontros, os enganos numa insegurança.
Existem significados em dicionários, mas não existe explicação para os solitários. Pois existe a força do pensamento, o movimento das mãos e o sorriso; existe o som da fantasia e seus encantos, o sabor da vida e a constante busca de sentido.



1996

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Caminhos por onde ando

Quem possui caminho, vai também pelo caminho do mar para conquistar amizades concretas, tocar em mãos secretas que têm muita sede de sentir.
Pelo caminho dos fiéis se vai, pois temos pouco tempo e o tempo urge, rude e tranqüilo como nem sempre conseguimos ser.
Sobre o crepúsculo se fala e sob o fim da tarde se abriga, compondo o amor e canções de valor com fundo sentimental.
Pelo caminho do realizar se vai, mantendo um querer sem ter que sofrer, sem distribuir dores e somente contar as cores que a vida der de presente.
Por certas estradas existem caminhos de sol, bifurcações, coisas separadas, existem escolhas e preços: ser livre ou ser prisioneiro?
Existe a dúvida do humano: sagrado ou profano?
Pelo caminho da vida se vai, mas sem seguir por atalhos espalhados; seguindo por espaços conquistados, deixando um rastro estampado nas corriqueiras lutas da vida.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Casas humanas

Volte sempre às suas casas, suas camas bem dormidas, se quiser.
Guardei meus móveis dentro de uma casa humana que não era eu e nunca mais irei buscar porque já não me servem.
Farei um novo mundo de cortinas e piscinas e serei as pedras que tremem, os violões de passageiros, a dormência das manhãs...
qualquer coisa, menos casa.
Uma me feriu com seus guardados por isso, agora sou dilúvio de um dia e arco-íris do futuro.
Sou a questão que te envolve e sustento suas novas dúvidas.
Estou aqui e esclareço a quem merece, meus sonhos e nada mais.



1995

terça-feira, 14 de abril de 2009

Dia após dia

Cada dia eu acordo e tu acordas.
Cada dia é uma nova força.
Cada dia levanto-me e te levantas.
Cada dia um trabalho desempenhado, a prova da energia.
Cada dia eu volto e penso, voltas e pensas.
Cada dia eu sonho, tu sonhas.
Em cada dia mora a intensidade.
Cada dia é um rosto que vejo, que vês.
Cada dia é um toque que sinto, que sentes.
Cada dia é um dia de conquista.
Cada dia a certeza de que ninguém está sozinho.


1996

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Brilho

Não me refugio no que já fui nem no que já passou.
Só me prendo às estrelas para brilhar como se fosse uma delas, sem que possa fugir do amor que nos prende a tudo que for vida, força, cor e coisa ardente.
O que já fui e o que se passou, morreu ontem, tornando o refúgio de antes deserto e o brilho das estrelas foi uma das coisas lindas que restou.

domingo, 12 de abril de 2009

Atmosfera...

Quando toda cidade adormece, nos encontramos no ar de toda a Terra, diluídos na atmosfera com dores de guerreiros, de feras.
Vemos no fundo de toda cor neutra um mar sem beira onde não podemos nos apoiar, nos suportar.
Por isso, cada lágrima chorada é a vida revoltada em noite parada.
Para essa dor há permissão, solução, fundição de nós, que ainda toscos levamos o que sobeja e não nos serve, mas que permanece em compartimentos do recinto coração que pede amor que faz reinar entrega e luz que clareia o semblante do sentimento.
Pela sobrevivência, viramos a força que não tínhamos sem nos esquecer de que éramos quem não sabíamos, mas sem a essência das coisas resolvidas.
Por amor, que engrandece e eleva a alma, abrimos sorrisos no íntimo e destruímos mesmo sem saber aquilo que furta a vontade de viver.


30/08/2000

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Capricho do homem

O capricho do homem pulsa, vive, acelera o acontecimento natural.
Caprichoso, o homem nem sempre se entende, mas se rende quando não se prende no próprio sangue, ileso.
Mesclado a ele, o sangue, o homem não se rende e persiste no capricho
porque no sangue mora a pressa por oxigênio vivo, não adormecido.
No sangue do capricho do homem emana o sonho que não passa. É do sangue que vem a força do realizar a pulsar na corrente que dá forma a mais um capricho do homem.



07/10/1997

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Através de mim

Através de mim verás uma estrada e um rio por onde passa minha lúcida embriaguez.
Verás através de mim o teu sonho, a tua vontade de realizar, as tuas cores e os teus sons.
Através de mim verás que o tempo não se acaba, que o meu amor não se finda e que a morte não nos extermina.
Verás meu corpo sereno, meu espírito e minha alma.
Verás as nuvens alvas e um rastro na eternidade.



1996

sábado, 4 de abril de 2009

Quem dera

Quem me dera existir num mundo ingênuo sob um céu azul isento de um cinzento!
Quem nos dera existir num mundo onde não existissem excluídos nem seres perdidos!
Ao tilintar um unânime desejo todos se encontrariam, se entenderiam e participariam enfim da vida.
Quem me dera não ver pessoas correndo atrás de padrões fúteis e valorizando causas inúteis!
Quem dera existir a falta de obstáculos para que um sorriso se expresse, para que uma alma se ilumine!
Quem me dera ter agora as palavras certas, os minutos e as horas secretas
de te fazer sonhar!
Quem dera não existir o que impede o subsistir, um sino que soe, uma pomba branca que voe!



1996

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Alguma ciência

Houve quem descobrisse a ciência, mas quem descobrirá quem é quem?
O que fará de nós algo que se estuda, algo que se aprenda, senão a ciência?
Quem entenderá quem através de loucuras faladas em linguagem científica?
Seja então apenas um pedaço de vida diversificada, dividida entre estrelas; talvez um pulso que pulsa, mesmo que inerte, mas inerente a uma vontade; quem sabe uma fonte de luz não camuflada nem se quer exagerada.
Tenha a ciência de ser o que quiser ser sem fazer estardalhaço nem cometer pecados.
Se preferir tenha menos ciência e mais arte em mãos decididas que sabem no que tocam, a quem tocam e como tocam.


1996

segunda-feira, 30 de março de 2009

Fuga

Me transporte por aí, além de ti, além de mim.
Me desbote e fuja de bote porque tu me amas e não admites, por isso estou triste.


1996

terça-feira, 24 de março de 2009

Busca por respostas

Minha falta, minha sobra, os defeitos falarão ainda que sem motivo transparente.
Como ser profundo e terno sem grandes causas?
Penso em como entregar-me tal como gostaria sem deixar causas pendentes.
Quem dirá onde está nosso erro? Quem ditará os conceitos de sobrevivência? Onde estão as virtudes do homem sem diretriz?
Antes indagava tanto!
O quanto antes, até que me respondiam o dia e a noite deitada.
Enquanto isso restava sorrir para questões quase insolúveis e tornava-se consolador ver pretensos amigos calados, olhando no fundo do mundo, buscando minhas respostas.
Quem vai chorar e amar a melancolia? Quem se condoerá com silenciosas dores?
Hoje escutei canções, vi uma multidão vazia e um grande céu, onde se descobre questões sem limite, diferente de tudo mais abaixo do céu, pois em tudo se impôs limite.
Nossa ânsia por respostas é de sobra e paciência nos falta, tornando-nos invólucros retentivos de anseios impacientes, e as respostas vêm como nuvens consistentes em formas primeiramente vistas depois dispersas como fumaça.



1995

quinta-feira, 19 de março de 2009

Satisfaz

Quando se encontra o que se procura, satisfaz.
A sensação de conhecer entrega os pontos, mas não estamos prontos.
Você sempre foi e voltou.
É sempre uma festa o teu regresso.
Nunca vi seu rosto, mas já tive sensações de conhecer...
Satisfaz saber e sentir o que se sabe.
Satisfaz sofrer e sentir o crescimento.
Satisfaz não entregar os pontos.



1995

segunda-feira, 16 de março de 2009

Feliz verdade natural

Animais, me guiem no instinto, no faro, no rastro.
Levem-me ao cimo dessa vida chamada de história, sem disfarce, sem enlace nas mentiras.
Alegrem-se ao terem em si a natureza banhada de verdade.
Alegrem-se ao contemplar no tempo o final da tempestade, pois são renovos, perfeitos encontros de águas e vidas, são visíveis harmonias...
É banhar de transparência e verdade a existência pura do teu ser.



1997

quinta-feira, 12 de março de 2009

Eu te amei

Ao som dos mares te amei...
como se ama o natural.
Como se ama as coisas sagradas, não sei.
Seria a profana conquista humana.
Sei que profundamente te amei sem querer saber se no instante secreto
o mundo me rodeava, se ao menos eu estava numa esfera ou no paraíso...
sei que pouco nos importamos com isso!
Pois somos mais do que seres humanos quando amamos, em busca não somente dos prazeres, mas em busca do sublime, do sonho real que tine.
E somos seres flutuantes, de mares navegantes, amantes, de um espetáculo os estreantes.
Ao som da vida eu te amei e sei que te pertenço quando me pertences e assim somos dois em um, somos preces ouvidas, somos duas realizações na vida.



1996

quarta-feira, 11 de março de 2009

Medo

Existiu o medo.
Existe o enlace.
A busca do proibido
para encontrar o perigo.
Desejar entender coisas,
dominar tantas fantasias
é criar através do imprevisível destino.
Medo extinguiu!
Nasceu a chance de acreditar
que podemos tudo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Continuar

Olha que tolice querer ser pela metade!
Jamais houve nisso qualquer felicidade.
O mundo inventa antagonias e agonias de querer sem se importar com o todo, o sentido inerente do sentir.
Sou livre por me resolver simplesmente como o voar das aves.
Felizmente existe o dom, a alegria, o prazer por continuar.



1997

sábado, 7 de março de 2009

Criaturas

Na ligação do mundo com as criaturas, estão as loucuras, usuras usurpadoras da matéria viva e pela morta, bruta, adquirida.
Há busca incessante ou não, cansaço ou cão faminto pelo pão, pelo descansar.
São as criaturas verdes ou cinzas, futuras, pouco maduras, traduzidas e reduzidas a nada.
Criaturas tapeadas, febris e senhoris de cada estampa concedida pelo social.
São faces que se perdem e que se acham imprudentes no deslize, no sonho
e nas cicatrizes.
Criatura social, criatura em pedestal, anti-social, criatura normal, amoral, moral, usual, emprestada, cordial, fascinada pelo virtual.


1997

terça-feira, 3 de março de 2009

Hábito

Acostumada
com o fato
de ser
natural,
de ser eu,
de ser humana,
virei gente.



1995

segunda-feira, 2 de março de 2009

Lábios em harmonia

Quantos lábios de harmonia já cantaram essas paixões que somos capazes de sentir!
Tantos ventos sopram no ouvido que tudo será lindo se assim desejarmos!
Mas não basta desejar apenas e apenas acreditar no sabor dos lábios,
na criação dos ventos em harmonia...
é preciso ter fé.
Os pincéis pintam de pintor a pintor a arte de valer a pena tudo e as mãos pintam as paredes do delírio, o teto de algum vício sem motivo para continuar.
Enfim um colorido harmônico traz as cores do arco-íris e um sentido diferente, uma saudade de repente, uma paixão insistente, que em contato com o corpo vira essencialmente um grande amor.



1995

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Heterogêneos

O antes era tudo, o hoje é não acreditar mais nas coisas não concretas, nos sentidos absurdos.
Ficaram arranhões e intrincadas raízes no chão.
Hoje recolho pedras que não me servem, para jogá-las num abismo que seja mais que profundo, mais enfadonho que um engano.
E as pessoas dotadas de atitudes e riscos em seus feitos, festejam, pois notaram que estou aqui há muito tempo e que não busco ter mais importância que os outros. E assim, elas tentam se identificar umas com as outras e dizem ter afinidades mesmo sendo como templos perdidos, arruinados e esquecidos, que não significam tanto para tantos e nada para mim.
Mas existem seres distintos que não se mesclam a células que não são suas. Apenas tentam se compreender mesmo que não simultaneamente.
E ainda que não se entendam e nem se completem, dão-se as mãos e seguem juntos, heterogeneamente como água e óleo.

1996

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Teu mistério

Assim, com o corpo aberto, me desvenda!
Quem há tanto tempo me cobra uma fresta, uma brecha.
O tempo para mim importa e importa a convivência, o tato, o brilho, a ciência.
Deixe o tempo descobrir a hora que não é morta;
Deixe a vida nos unir numa só voz, numa só intenção.
Assim, me vestirei de festa com um conjunto de cores de vários sabores e abraçarei além de ti o teu mistério.



1997

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Medida


Tudo tem um valor merecido e já havia esquecido de como dizer eu amo você. Pois, tudo curto começa curto, caminha curto e termina em curto.
Tudo médio se faz tão sério e vira um tédio.
Tudo intenso começa intenso, se passa imenso e se torna um remendo.
Tudo longo mora em casa de pombo e toca o gongo.
Tudo finito é limite de nós e é o que podemos suportar e transportar de um pólo a outro.
Curto, longo, médio, intenso.
E o valor do sentimento?
O que sobra para quem ama?
O que resta para quem se engana?
Talvez a gana por eternizar a ternura, aventura, loucura...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Outra chance

Nunca fazemos ao certo a viagem que planejamos.
Talvez, se nada planejar, se nada desejar!
Mas a dúvida escorrega no pranto, um delírio vaga no vento, porém o tempo é mesmo como parte do sofrimento.
Certos sonhos são facilmente realizáveis para tantos, e para mais tantos com pouco sentido de ser.
Para muito, teria de sonhar outros sonhos, aspirar outros encantos e realizar sonhos alheios.
Quem dera outra chance!
Ter visão além do alcance.
Seria viajar com igual imaginação à dos amplamente amados e abrigar novas certezas relativas aos sentimentos e de igual modo reconhecer que há mesma estatura os pensamentos.
Seriam anseios de encontrar corpos que não adormeçam ilícitos, mas cingidos de adornos sem falha, sem a vida querer planejar, sem nada dever ao tempo, sem nada quebrar para não ter que usar remendos.



1995

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Formas humanas

Deus criou cada pessoa com algum propósito. Decidiu criar lindas formas humanas e foi criada também uma outra essência, parte do corpo material. Derramou sobre tais formas, sentimentos, energia, atitude, imperfeição de gestos. Colocou alma, fôlego e o começo de uma jornada na Terra. Deu a essas pessoas poder de escolher serem alegres ou tristes; belas interiormente, ou nem tanto; transparentes ou obscuras; que transmitem paz ou trazem inquietação. Entregou nas mãos a liberdade.
Cada um trilha caminhos pela liberdade que lhe foi concedida.
Deus também nos deu o direito de fazer escolhas e observa de lá de cima o que fazemos de nós mesmos com toda liberdade que nos deu.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Carência

Carência minha que dá empolgação, que indica para mim a contra-mão.
Carência minha revestida e esculpida com nada mais nem menos.
Carência minha com causa e que causa dependência de você.



1995

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Ausências

Somos ausentes de nós por comodidade ou timidez.
Mostrar-se oferece perigo ou satisfação.
Parecemos agradáveis a alguns olhos, a outros não.
Abusamos ou não da arte de sermos autênticos sem remorso.
Buscamos enfim a natureza humana na terra, também no fogo, na água, no ar, e buscamos o ser subjetivo e objetivo necessário.
Se conheces um ente na completa esfera da superfície, meio e profundidade, enxergas os mistérios do seu corpo mesmo sem a chance de enumerá-los ou denunciá-los, e apenas combinas sensações de diferentes intensidades ao prazer ou ao medo da entrega.
Ausentes não vivem, pois não estão.
Vive o ausente notadamente se o gentil o enxerga, e antes de tudo o percebe no caos da esfera evolutiva chamada mundo.
Como força inativa, ausentes nos faríamos. Mas ao despertar da consciência de nós mesmos como presentes no universo da mente, sem artifícios ou luzes emprestadas, seremos astros de luz própria em existências de forças e formas poéticas de belezas desiguais.
Existem influências de toda sorte nas existências que são e que não são percebidas, porém as influências se desencontram e perdem a força perante a imensa responsabilidade de se deparar no espelho consigo mesmas.


1995

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Jeito da vida

Pensar me faz transbordar, sonhar me faz suspirar.
Não sinto mais o que existiu porque antes era quase nada, depois se desfez em sua efêmera importância e não mais ficou.
Pensei...
e no ato exato do praticar, sonhei.
Transpirei diante das verdades do mundo, pelo jeito como nos fere e não percebe e de perto vi o mesclado jeito da vida. Vi jaça em quem me fez inconsciente e incógnitos os meus valores inocentes.
Um jeito que se inicia, um medo que se aproxima, um sentimento que se intimida...
É o jeito da vida!
Um mal que se acaba, um amor que em mim transpira.
E o medo da vida? A quem atemoriza?
Aos que não pensam, não sonham, aos que não sentem, não amam,
aos que não vivem.


1996

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Acertaria...

Acertaria em cheio se falasse o que ninguém nunca falou, se olhasse nos olhos de alguém e enxergasse o que ninguém jamais enxergou e ao tocar nas mãos, sentisse o que ninguém jamais sentiu.
Acertaria em cheio se amando alguém, sentisse o mar cair sobre mim, ouvisse o som dos sinos do começo e do fim.
Acertaria, não em cheio se pensasse que fui eu quem deu a luz ao sol para pratear o luar, para refletir a cor do mar.
Acertaria em cheio se descobrisse que a vida me realiza de todas as formas quando falo do nunca fui infeliz, quando falo do singular e sinto a mão mergulhar no amor da manhã e ouço o som do ar em forma de sino,
começo e fim de um hino.



1995

sábado, 31 de janeiro de 2009

Sem rimar

Eu moro no ar...
suspiro na sombra de um caminho.
Creio no fôlego que há em mim.
Eu bebo as palavras e falo palavras também, sem rimas e por ninguém.
Eu vivo no dia e durmo na noite.
Sei sorrir e sei transformar dor em prazer, só desejo em desejo e carinho
e amor em rosas sem espinho.



1995

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Paisagens que sinto

O mundo não enxerga as paisagens do que sinto.
No tempo presente, não sou objeto, nem o que dissimula ao dilatar-se em emoções de amar pela palavra, ente que cerca, símbolo que vive pleno, por vezes secreto na solidão que circunda o poeta, o moço apaixonado, o tímido, o sorriso que chega atrasado, mas que se expressa.
No tempo passado era ausência de emoção digna de se guardar e capaz de solidificar o êxtase de quem a sente.
No futuro, lembranças do direito à febre, direito ao único e possível amar com substância, sem vislumbrar barreiras nem incertezas de que o sentimento cresce, o amor não definha e que o mundo poderá enxergar grandes paisagens do sentido.


1998

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Iguais num querer

Não és o único que tem dissabores neste mundo.
Existem seres capazes e felizes, pessoas-aprendizes.
Existe o erro e também o acerto; o pacto e a vitória.
Existem pontos, prismas e o ponto certo... o ponto de vista.
Existe o desgosto, mas existe também o bom gosto de acreditar em si mesmo.
Existe a sorte e pessoas iguais num querer, capazes de transformar e transformarem-se.


1995

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Não me deixarei...

Não me deixarei cair no lago de nenhum esquecimento, porque não sei nadar; porque não sei ficar perdida nas profundas águas de tudo o que se quer esquecer; porque de alguma forma sei o caminho de volta; porque tão cedo tentei encontrar os brilhos, que são tão brilhos que emanam de nós enquanto dura a vida.
Não deixei o homem, que de tão homem não quer se perder; não deixei o independente, que de tão independente acabei por depender; não deixei o sentimento, que de tão sentimento, me faz renascer; deixei o tempo, que de tão tempo, fará decisões serem tomadas e deixará vidas conformadas; não deixei a eternidade, que de tão eterna me fará vivê-la para sempre.
Deixei a liberdade ser, deixei as coisas e sentimentos serem livres. Não deixei tudo, não deixei a vida, e ainda hoje tento me livrar do que corrói e mata para não deixar alguém ou alguma coisa que importa algum dia.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mínima gigante

Dilacera por dentro ser o poço que tudo suporta.
Quando te calas, ficas de sobra.
Atordoam essas horas em que se revoltam as ondas de noite no inverno.
Na verdade o que revolta é a garra por mentira, a força por usura, o medo de pedir que a vida seja um pouco generosa e conceda um perdão.
Entrelaça os sentidos ter de estar pronto para ter paciência e ter a ciência quando der de cara com as caras das fartas loucuras.
Abaixo tudo aquilo que se encarrega todo dia de matar por dentro
os sentimentos!
Porque resta sempre alguma esperança, seja a única, a última, pela metade, ou a mínima gigante que seja.


1995

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Pessoas

A visão das pessoas muda e eu não mudo somente por mim.
As pessoas procuram diferenças que nunca existiram...
ou semelhanças!
Mudanças fictícias escondidas atrás de uma incontida inveja ferida e falta do que dizer, do que ter.
Pessoas...
mais nada além de gente, semente, corpo, alma, sopro.


1996

domingo, 18 de janeiro de 2009

Progresso ponte

O progresso em nós é ponte que liga a força de um desejo à promessa de vitória. É como ser importante por ser necessária como se fosse metade de vidas que não sei. Daí, exterminarei as prisões que jamais terão em si prisioneiros. E seremos amigos, será apagada a escada que desce e fortificada a que cresce.
Pelos nossos ideais, viva a vida inteira e deixe de lado a metade apenas.
Coisas divididas e pendentes machucam, não se realizam, não se enfrentam e esquentam a cabeça. Não esqueça que o ideal é ser inteiro em todos os sentidos, sentindo o gosto da vida, vendo bem a sua sina, sentindo o cheiro da aurora, ouvindo as passagens de sua história e tocando a sorte com as mãos.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Além da própria existência

Viemos como uma fresta de sol a olhar por esta vida. Mas não olhar inutilmente, como se olha para tudo, e sim, como se olha para o todo que uma alma abriga, e perceber os sentidos envoltos de um mistério que se desvenda mesmo sem saber.
Quem dera saber todo o pensar que se deita no travesseiro, sem represar sentimento em forma de lágrima!
Coincidem os pensamentos?
Lágrimas caem, mas não são dos nossos próprios olhos e sim do olho que a todo sentimento vê, porque vem para nos olhar e nos chorar, porque em nossa ilusão ou loucura, podemos imaginar sentir que nos tiraram de nós mesmos, nos deixando vazios.
Como cobrar um olhar de quem jamais pousou sobre nós a própria vista das janelas da alma?
Podemos apenas estar ao redor de quem validamos como nosso ente predileto e ficamos inertes ou perplexos de encanto, e desejamos ser não mais que raios de sol ou frescor de luar.
Como torturar-se com o desejo de enxergar valores análogos aos nossos em vidas alheias se cada um em si é um mundo de valores distintos?
Viemos também para olhar a vida e admirar como se pode sonhar sem muito alarde. Entretanto poder ver que um sonho, ainda que lânguido, insiste nas mãos que se procuram, num par de olhos que descobrem existências além da própria existência.



05/12/01

domingo, 11 de janeiro de 2009

Breve momento

A vida fechou meus olhos por um breve momento e me fez chorar com profundo sentimento.
Veja agora o que existe por trás dos meus olhos que se fecharam brevemente chorados, sentimentados, condimentados pelas palavras que jamais pronunciei por serem vãs no teu momento!
Veja que estou de baixo do mesmo céu que lhe cobre, olhando a mesma lua prateada de um pobre, contando as mesmas estrelas da sorte.
Agarrei o bom da vida e te queria.
Adquiri gestos, atitudes...
perdi o medo de viver.



1996

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Sentenciados

Sentenciado à solidão está quem se entrega.
Sentenciado a ser mera semente e crescer paulatinamente, e ainda assim sentenciado a não parar, com intenção de ser um par a nortear muitas dúvidas ao fim do abismo.
Sentenciado não está se não se identificar com a morte dos sonhos nem sentenciado será se não se entregar a regras preestabelecidas e ridículas, como viver uma vida manipulada.
Qual será o planeta correto dos “sentenciados ou não” a alguma história de vida?
Se este mundo nos devora, estamos a uma das beiras do nada e estamos fora, flutuando no ar livre e espanando constelações, descobrindo o que somos mais, se mais de um pensamento ativo adquirido.
E descobrimos que somos como livros e saímos de uma história; somos apenas uma trajetória e passamos a reformar o coração perante o ser pensante que não pensa sozinho, se deixa pensar...
o sentenciado ser que é mar e terra e abrigo, o ser não amigo, o envolvente e trapaceiro, o ser mudo, o ser mundo inteiro.


1996

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Maçã do seu amor

Poderia ser parte, ser momento, ser arte.
Poderia ser somente gente sua e estar contente, me sentir novamente.
Cravar os dentes na maçã do seu amor e respirar novamente.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Quem dera assim fosse

Ao sentar-se sobre as pedras diante do infinito, sem ondas impetuosas, o que se vê somente é um rosto refletido; no mar, o reflexo de um infindo amor, onde suspenso se encontra um mundo secreto de quem não se mostra sem ter uma chance, sem ter quem o alcance.
E conhecerás alguém se escutares as palavras ditas de quem se aninha ao precoce jeito de se reconstruir.
Conhecerás recônditos desejos ao pensar nas entrelinhas de uma história, que são letras injetadas em tua imaginação. História tão profunda e tão rasa, tão doce e meio amarga dependendo do teu olhar...

Quem dera se fossemos queridos pelo que dentro de nós guardamos e sentimos e não pelo que permitimos!


22/02/97